Xuxa adere ao digital e lança filme interativo

Rainha das bilheterias no cinema brasileiro, Xuxa concorre com ela mesma. Xuxa e os Duendes estréia nesta sexta-feira com o sério objetivo de bater o recorde de público de Xuxa Popstar. Com o filme anterior, ela fez 2,319 milhões de espectadores e detinha o recorde de público do ano nos cinemas brasileiros. Xuxa pode estar rindo à toa com a expectativa de mais um grande sucesso. Danem-se os críticos, que encontram motivos de sobra para falar mal dos filmes dela. O público gosta e quem está rindo mais ainda é a cúpula da Warner. A major norte-americana, que distribui Xuxa e os Duendes, comemorou esta semana a quebra do recorde de Xuxa Popstar. Comemorou, sim, pois o novo recordista é dela - Harry Potter e a Pedra Filosofal, que chegou na quarta-feira a 2,533 milhões de espectadores. A Warner também realiza o que não deixa de ser um feito inédito - e absurdo. A empresa colocou Harry Potter em 484 salas de todo o País, com o compromisso de que elas terão de exibir o filme durante pelo menos cinco semanas. O número, atendendo a pedidos dos próprios exibidores, saltou para mais de 500 salas e agora a Warner soma a essas os 300 cinemas que, a partir de amanhã, exibem Xuxa e os Duendes. Isso dá à empresa 50% de ocupação de um mercado que não ultrapassa 1.600 salas. Até agora essa conversa gira em torno de números e porcentuais. O que o pai e a mãe que dificilmente vão escapar à missão de levar os filhos para ver Xuxa e os Duendes querem saber é: o filme é bom? É um filme de Xuxa, formatado para ela e isso já o situa num patamar bem baixo em relação ao que de melhor se faz hoje no cinema brasileiro. Mas seria injusto negar o progresso evidente. Xuxa e os Duendes é melhor do que Popstar. Esse "melhor" tem de ser relativizado. Xuxa sabe que não é atriz. Já disse à reportagem que é uma apresentadora que faz filmes. O tempo passa e sua personagem não evolui. Xuxa qualquer dia vai estar batendo nos 40 anos e sua personagem terá sempre 10, por aí. Ela fala e age de maneira infantil para passar suas "verdades". São banalidades sobre ecologia, magia. Mas o público gosta. Passe amanhã por qualquer uma das 300 salas que estarão exibindo Xuxa e os Duendes. Lá pelas tantas você vai ouvir aplausos. Xuxa criou o que não deixa de ser o primeiro filme interativo do cinema brasileiro e, talvez, mundial. No meio do filme, ela fala para a câmera, pergunta se você (nós, o público) acreditamos em magia e, em caso afirmativo, pede aplausos. Nas pré-estréias, adultos e crianças se arrebentaram de tanto aplaudir. Não é a única inovação de Xuxa e os Duendes. O filme de Paulo Sérgio Almeida e Rogério Gomes marca a adesão de Xuxa ao cinema digital. O filme foi feito em HDTV, com os mesmos equipamentos que George Lucas usa na nova série de Star Wars. Mas essa técnica não é tão apurada assim: as cenas das fadinhas voando deixam muito a desejar em relação à Sininho de Julia Roberts em Hook - A Volta do Capitão Gancho, mas lá o diretor era o mago Steven Spielberg. O roteiro também é bobo e piegas, com Xuxa como a jardineira que ajuda menina a salvar região ameaçada pela especulação imobiliária. Xuxa - adivinhe se ela não é duende - fala com as plantas, tem dois ajudantes insuportáveis de tão sem graça (um deles é Luciano Huck) e, desta vez sem um galã como Daniel ou Luigi Barricelli, forma um par canhestro com Gugu. Ah, sim, Ana Maria Braga faz a rainha dos duendes e Guilherme Karan é o vilão. Pensando bem, fica até difícil dizer por que, de alguma forma, apesar de tudo, Xuxa e os Duendes consegue ser melhor do que Popstar. Xuxa e os Duendes. Dir. Paulo Sérgio de Almeida e Rogério Gomes. BR/2001. Dur. 88 min. Livre.

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