X-Men 3 - O Confronto Final é emoção do princípio ao fim

Brett Ratner admite que foi um choque ser demitido da produção de Batman Returns, que havia iniciado. Ele não comenta o filme de Christopher Nolan, nem mesmo para dizer se suas escolhas teriam sido diversas. Mas esclarece: "Para o melhor ou o pior, acho que todo diretor tem de ter um ponto de vista sobre a história que quer narrar. Pode não ser o que muitas pessoas talvez estejam esperando, mas tenho meu ponto de vista em relação a X-Men 3 - O Confronto Final. Conheço esses personagens desde que era criança." X-Men 3 estréia nesta sexta-feira em salas de todo o Brasil. Antecipando-se à Copa, os distribuidores lançam a toque de caixa os blockbusters do ano, praticamente não deixando tempo para que o público respire. Primeiro, foi Missão Impossível 3; depois, na semana passada, O Código Da Vinci; e agora X-Men 3. Uma das regras do cinemão é que não se mexe em time que está ganhando. Os dois primeiros filmes da franquia da Marvel tiveram ótimas bilheterias sob a direção de Bryan Singer, que pode não ter sido 100% fiel aos quadrinhos, mas criou um clima e foi respeitoso em suas liberdades, o que agradou aos fãs. Singer com toda certeza teria continuado na série, mas preferiu trocar de super-herói e foi fazer o novo Superman, com estréia marcada para 14 de julho no Brasil. Foi a chance de Brett Ratner, que teve à sua disposição o mesmo elenco e recursos maiores ainda do que os dos dois primeiros filmes. Ratner deu uma movimentada entrevista coletiva em Cannes, que pode ser o maior evento de filmes de arte do mundo, mas não rejeita os blockbusters de Hollywood. Afinal, eles atraem o público e contribuem para o glamour do festival. "Esse pessoal aqui foi muito generoso comigo. Eu era um novato chegando ao time vencedor, mas eles me acolheram muito bem e me deram todo o apoio." Ratner está falando do seu grande elenco, que tem Hugh Jackman, Halle Berry, Ian McKellen, Patrick Stewart, Anna Paquin, Rebecca Romjin-Stamos e muita gente mais. Ratner brincou que vai pedir a cidadania francesa. De Cannes, o diretor seguiu para Paris, onde vai morar nos próximos meses, enquanto trabalha na pré-produção e inicia, em agosto, a filmagem de A Hora do Rush 3, com Jackie Chan. Três ele acha que é um número de sorte. Seu entusiasmo é o mesmo, por X-Men ou Jackie Chan. A violência cômica desse último o atrai, como possibilidade de brincar, mas em X-Men ele sabe estar trabalhando com uma coisa mais séria. "Magneto era o vilão do primeiro filme, continuava do mal no segundo, mas no terceiro episódio o vilão é a cura", diz o diretor. Todo o confronto final gira em torno da possibilidade de cura para os mutantes, que terão de escolher entre renunciar a seus superpoderes ou permanecer com eles, mesmo sendo considerados aberrações pelos homens ditos normais. "Temos cenas eletrizantes de ação, mais até do que nos filmes anteriores, explorando o estilo de cada X-Man, mas o que me interessava era dar aos personagens uma dimensão mais dramática." Halle Berry, que faz Tempestade, e Ian McKellen, o Magneto, concordam. Halle fala com sinceridade - "Quando eu era pequena, achava que bastaria trocar a cor da minha pele para resolver os problemas. Com o tempo, aprendi que as coisas não são assim tão simples e que eu não queria renunciar à minha identidade." Sir Ian é ainda mais radical. Gay de carteirinha, ele não perde oportunidade de fazer militância.McKellen foi a sensação, em Cannes, na coletiva de "O Código Da Vinci", ao dizer que não entendia a reação da Igreja ao filme que Ron Howard adaptou do best seller de Dan Brown. "A Igreja é homófoba, deveria ter ficado contente com a idéia de que Cristo tenha se casado com Maria Madalena e tido filhos com ela. Pelo menos, ele não era gay", ironizou. Sobre X-Men 3, que define como fantasia, não ficção científica, disparou - "Volta e meia surge alguém propondo um tratamento para a recuperação de gays. Pessoalmente, dispenso curas e acho que elas aumentam o preconceito. Devemos tomar consciência do que somos e aprimorar nossas qualidades. Não quero forçar ninguém a ser como sou, mas também não quero que me forcem a ir contra a minha natureza." X-Men 3 está sendo vendido pela empresa produtora e distribuidora Fox como último da série. Ratner concorda, mas admite que Wolverine, Tempestade e os outros X-Men têm potencial para possuir filmes próprios. Para ele, a importância da série está na emoção que os X-Men vêm revelando desde os anos 1960. Para os fãs, a Fox Home Vídeo lança uma caixa Marvel com X-Men 1,5 e 2, Electra, Demolidor, Quarteto Fantástico e Geração X. Tudo isso é para incrementar ainda mais o confronto final nas telas brasileiras.

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