Eloy Alonso/Reuters
Eloy Alonso/Reuters

Woody Allen se diz satisfeito com Centro Oscar Niemeyer

Diretor disse que incentivará outros cineastas americanos a 'se envolverem no projeto'

EFE

24 de agosto de 2010 | 17h28

Woody Allen expressou nesta terça, 24, sua satisfação por colaborar com o Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, em Avilês (norte da Espanha), e disse que incentivará outros cineastas americanos a "se envolverem no projeto", cuja construção será concluída no final do ano.

 

Durante a apresentação de seu novo filme, "You Will Meet a Tall Dark Stranger", ainda sem título em português, Allen anunciou que também apresentará suas próprias sugestões para a programação cinematográfica do Centro e que seus filmes estarão disponíveis para as festividades e exposições.

 

O diretor de "Manhattan" disse que estas são "suas conexões" com o Centro Cultural e que está "feliz por mantê-las". Também lembrou que a programação não contará só com cinema, mas englobará outros campos da cultura, como teatro e ópera.

 

Allen acrescentou que nestes âmbitos "não pode trabalhar de forma significativa", mas que falará com seus colegas americanos "para que se envolvam no projeto".

 

'You Will Meet a Tall Dark Stranger'

 

Woody Allen falou sobre seu novo filme aos jornalistas: "meu cinema não é autobiográfico", disse Allen. "Não tem nada a ver com minha vida. Me tranco em um quarto e começo a criar", disse Allen à imprensa em Oviedo, onde filmou algumas cenas de "Vicky Cristina Barcelona" (2008).

 

A frustração continua sendo o ponto em comum entre todas suas criaturas cinematográficas em "You Will Meet a Tall Dark Stranger", estrelado por Naomi Watts, Antonio Banderas e Anthony Hopkins.

 

Em entrevista à Agência Efe, o cineasta faz jus a sua fama de insatisfeito e faz críticas inclusive ao seu sucesso.

 

"'A Rosa Púrpura do Cairo', 'Maridos e Esposas' e 'Tiros na Broadway' são melhores que 'Noivo Neurótico, Noiva Nervosa' e 'Manhattan', mas as pessoas lembram desses filmes e não estão de acordo por alguma razão", reclama.

 

Agora, Allen apresenta a ruptura de um casamento da terceira idade: ele (Hopkins) quer aproveitar o que resta de vida ao lado de uma explosiva prostituta, enquanto ela (Gemma Jones) se refugia no consolo de uma astróloga que lhe assegura que "conhecerá o homem de seus sonhos".

 

Como em "Tudo Pode Dar Certo", a diferença de idade no amor volta a estar em pauta.

 

"Por alguma razão, é divertido ver um velho que fica louco por uma mulher jovem, e é triste ver uma mulher mais velha com um homem jovem, mas a ideia me interessa. Há grandes filmes sobre isso,

especialmente os baseados em obras de Tennessee Williams, mas eram muito dramáticos", analisou.

Também há espaço em "You Will Meet a Tall Dark Stranger" para mostrar a crise de meia idade da personagem de Naomi Watts, que lida com um casamento com um escritor frustrado (Josh Brolin) e fantasia com seu chefe (Antonio Banderas).

 

"Durante uma época, os melhores atores internacionais foram os italianos, como Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Depois foram os franceses, os suecos... É a vez dos espanhóis e eu trabalhei com os melhores. (Javier) Bardem, Penélope Cruz e Antonio Banderas. São fáceis (de lidar) e brilhantes", disse.

 

Como sempre, quando Allen apresenta um filme, já está quase acabando o seguinte, que rodou em Paris e causou rebuliço por contar com Carla Bruni entre seus atores.

 

"Um ano é muito tempo e um filme não leva mais que alguns meses. Outros diretores como Bergman ou Buñuel faziam inclusive mais de um nesse tempo. Portanto, se tenho o dinheiro, posso seguir com este ritmo", explica.

 

E é exatamente o orçamento que forçou este "exílio" na Europa, mesmo quando as estrelas que reúne baixam seus cachês para trabalhar com Allen.

"Há muito atores com talento por aí e nem tantos personagens bons. Portanto, quando leem um bom roteiro não pensam no dinheiro", argumentou.

Mas, nem entre tanta gente bonita e sendo o sexo um de seus temas favoritos, Woody Allen tem vontade de subir a temperatura de seus filmes.

"Mostrar sexo é fácil, basta pôr os atores na cama. Mas não é interessante como as complicações que surgem dele. É a mesma coisa com a violência ou a morte", assegura.

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