Fabrizio Bensch/Reuters
Fabrizio Bensch/Reuters

Wim Wenders colabora com campanha alemã contra pedofilia

'Quem rompe o silêncio rompe o poder dos carrascos' é o lema da campanha

EFE

21 de setembro de 2010 | 12h34

O cineasta alemão Wim Wenders produziu dois anúncios publicitários de 30 segundos para colaborar com a campanha do Governo do país para encorajar as vítimas de abusos sexuais a denunciarem seus casos.

 

As peças foram apresentadas nesta terça-feira, em Berlim.

 

"Quem rompe o silêncio rompe o poder dos carrascos" é o lema da campanha oficial, ilustrada com imagens pelos anúncios do cineasta. Em um deles aparece um menino e, no outro, uma menina, que têm a boca tampada por um adulto, que, por sua vez, não tem o rosto mostrado.

 

Mais tarde, as crianças se transformam em adultos, se libertam da mordaça e contam o caso em poucas palavras: "Ele me disse que era um segredo nosso e isso me tornou uma vítima durante toda a vida".

 

A ideia dos anúncios, segundo explicou Wenders na apresentação, é convidar os adultos que sofreram abusos quando eram crianças a romper o silêncio não só para "acabar com o poder dos carrascos", mas porque isso seria "o começo da cura".

 

"Conheci muita gente que arrastou durante anos um horror da infância. Falar do tema é o primeiro passo para se curar", disse o diretor de "Alice nas cidades".

 

A campanha, apresentada pela encarregada do Governo federal para a investigação dos abusos sexuais, Christine Bergmann, inclui também a distribuição de folhetos em banheiros públicos e em consultórios médicos, com números de telefones que as vítimas podem contatar de forma anônima para receber ajuda. Há ainda um site da campanha para orientar as vítimas a denunciar os casos.

 

As linhas telefônicas de ajuda já estão em funcionamento e uma análise de 2.500 chamadas revela que a maioria das vítimas não sofreu abusos sexuais isolados mas continuados, disse o diretor da Clínica de Psiquiatria Infantil e Juvenil de Ulm, cidade no sudoeste da Alemanha, Jörg M. Fegert.

 

Fegert destacou ainda que a análise mostrou que, enquanto os abusos contra mulheres costumam ser no âmbito familiar, os que têm os homens como vítimas ocorrem sobretudo em espaços institucionais.

 

A maior parte das pessoas que pedem ajuda são maiores de cinquenta anos que sofreram abusos há décadas. Das pessoas que resolvem ligar para o sistema, 80% falam sobre o assunto pela primeira vez.

 

Devido aos vários casos descobertos no início do ano, em sua maioria ocorridos em colégios católicos há duas ou três décadas, o Governo alemão iniciou investigações em março, sob a direção de Christine Bergmann.

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