Willem Dafoe: 'Faço cinema para mudar as pessoas'

Ator apresentou seu mais novo filme, 'Fireflies in the Garden', que concorre ao Urso de Ouro na 58ª Berlinale

Flavia Guerra, de O Estado de S. Paulo,

08 Fevereiro 2010 | 19h04

"Eu acredito sim que filmes podem mudar a maneira como as pessoas vêem o mundo. É por isso que eu faço cinema", disse o ator Willem Dafoe ao Estado quando questionado na coletiva de imprensa que se seguiu à sessão de seu mais novo filme, Fireflies in the Garden (Vaga-lumes no Jardim), que concorre ao Urso de Ouro no Festival de Berlim, onde foi apresentado na tarde deste domingo, 10.   Fireflies é um drama baseado na história autobiográfica do jovem diretor Denis Lee e conta a história dos Taylor, uma típica família norte-americana onde tudo parece estar perfeito. Ou quase. Dafoe é Charles, o patriarca carrancudo e severo, diretor de um departamento de uma importante universidade. Pai de Michael (Ryan Reynolds, que está ótimo no papel) e Ryan (Shannon Lucio), é casado com a (quase) perfeita Lisa (Julia Roberts). O grande problema de Charles é que ele absolutamente não consegue se relacionar com o filho. Severo ao extremo, muitas vezes cruel, cobra do filho uma perfeição que não existe. E que ele mesmo não tem. E acaba sendo odiado por um garoto que não entende a forma dura de ser amado.   Muitos anos depois, e quando Michael já é um escritor famoso, a família Taylor sofre um grande baque, que traz de volta todos os traumas e assuntos deixados para trás, quando Chalie e Lisa sofrem um grave acidente de carro. E todos são obrigados a confrontar questões delicadas e doloridas. "Meus pais não foram grande referência para eu compor este personagem. Mas é claro que eu, assim como todos, tive experiências de confronto forte com meus pais", comentou Dafoe, que está, como sempre, em plena forma.   Já o jovem Lee, que faz sua estréia em longas-metragens com a sorte de contar como nomes como Dafoe e Roberts no elenco, foi corajoso ao contar uma história que fala muito de sua própria vida. "Este filme tem sim muito de mim. A idéia nasceu quando eu estudava cinema na Universidade de Columbia. Criei um argumento para um filme da universidade. E virou um roteiro. Minha mãe morreu em um acidente de carro", contou Lee, que tem origem oriental e de ‘criação severa’ disse entender muito bem. Quando questionado sobre o que sua família achou do filme, ele foi corajoso mais uma vez e disse. "Minha irmã trabalhou comigo na produção. Meu pai não quis ver ainda. Não sei se vai ver. É um assunto delicado. Não é minha biografia, mas fala muito de coisas que dizem respeito à minha família sim."   Foram estas escolhas e o tema de uma família comum, mas não muito, americana, mas que poderia estar em qualquer país, que seduziu produtores e elenco a investir tempo e dinheiro em uma produção de um estreante. Lee pode não sair da Berlinale com seu Urso de Ouro, mas faz bela estréia. O filme deve entrar em breve em cartaz no Brasil.   A tropa do Brasil   Nos corredores da Berlinale não se fala em outra coisa. Todos querem conferir quem é esta tal de Elite Squade - como o brasileiro Tropa de Elite, que concorre também ao Urso de Ouro na competição oficial do Festival de Berlim, é chamado em inglês.   A equipe do filme chegou neste domingo a Berlim e na segunda-feira, 11, cedo já tem compromisso com a imprensa. O filme será exibido às 9 horas da segunda-feira para os profissionais e, em seguida, às 11h20, José Padilha e companhia conversam com os jornalistas, que estão curiosíssimos para descobrir o que fez o longa-metragem virar fenômeno de pirataria e ‘case’ quando o assunto é este. "Este horário de segunda de manhã é horrível. Mas para ver Tropa de Elite a gente vai acordar cedo e fazer um esforço. Estou muito ansioso para saber quem é o Capitão Nascimento", brincava um jornalista espanhol em uma das sessões para imprensa neste domingo.   O grande mistério que paira é se haverá algum tipo de modificação, edição especial para a Berlinale ou se a versão exibida aqui será a mesma que chegou aos cinemas no Brasil. Outra diversão dos brasileiros que estão participando da Berlinale é tentar adivinhar como o responsável pelas legendas em inglês do filme vai transmitir as idéias de bordões que já se tornaram clássicos no jovem cinema brasileiro como "Pede pra sair" e "O Senhor é um fanfarrão, seu 06".

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