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Will Smith fala do sucesso de ‘King Richard’ e da surpresa ao ser indicado novamente para o Oscar

Smith, de 53 anos, concorre pela 3ª vez; das outras que não levou a premiação para casa, perdeu para atores negros

Gina Cherelus, The New York Times

15 de fevereiro de 2022 | 05h00

Will Smith estava só abrindo os olhos “bem cedo” na terça-feira, 8, em Wyoming, onde iria falar em uma conferência de negócios, quando seu telefone começou a tocar. Tinham acabado de anunciar as indicações ao Oscar deste ano.

“Foi meio que, opa, espere aí, vou googlar meu nome e ver o que aconteceu”, disse Smith em entrevista por telefone, no final da tarde. “Mas era só uma bela e agradável surpresa.” Smith foi indicado para melhor ator por seu papel como o pai de Venus e Serena Williams em King Richard: Criando Campeãs. É sua terceira indicação: agora com 53 anos, já concorreu por Ali, em 2002, e À Procura da Felicidade, em 2007.

O ator disse que por muito tempo temeu secretamente que nunca faria algo tão bom quanto À Procura da Felicidade, a história de um homem que tenta manter a família unida mesmo sem ter um teto para morar.

“Achei que tinha alcançado meu auge artístico”, disse ele. “Então, quando o mundo responde a este filme, isso me energiza como artista. Estou muito inspirado para criar e contar histórias como esta”, um drama esportivo.

King Richard narra a jornada e o triunfo de um pai ambicioso que está determinado a transformar suas filhas em campeãs de tênis. O filme também é estrelado por Aunjanue Ellis, que recebeu sua primeira indicação para o Oscar na categoria de melhor atriz coadjuvante por sua atuação como Oracene Price, a matriarca da família Williams. Ao todo, o longa recebeu seis indicações, incluindo a de melhor filme.

Se Smith vencer, será a primeira vez que ele leva para casa um Oscar, depois de mais de trinta anos de carreira como uma das principais estrelas de Hollywood.

Em entrevista por telefone, Smith falou sobre as indicações por King Richard, sobre trabalhar com o diretor Reinaldo Marcus Green e sobre a forma especial com que planeja comemorar esse reconhecimento. Estes são alguns trechos editados da conversa.

Oi, Will! Tudo bem?

Tudo na mais perfeita ordem divina. E você?

Tudo bem! E parabéns!

Obrigado, obrigado. É uma doideira.

O que, exatamente? A indicação?

Seis indicações! Já fiz filmes que tiveram muito sucesso de bilheteria e fui indicado duas vezes, mas agora é um grande festival de amor pelo filme, todo o elenco, a equipe. É definitivamente um pedacinho de um mundo novo.

O que você acha sobre as outras cinco indicações de King Richard, especialmente sobre Aunjanue Ellis recebendo sua primeira indicação?

Passamos muito tempo juntos e ficamos amigos, e eu sei o quanto ela trabalhou duro e meu coração queria muito que ela fosse reconhecida. Seu trabalho foi muito sutil neste filme. É o tipo de atuação requintada e extraordinária que às vezes passa batido. Então, fiquei em êxtase por ela ter recebido a indicação. E também por Venus e Serena e toda a família Williams. E por Richard Williams, ele foi muito mal compreendido por muitos anos. Amo que o mundo está se levantando e reconhecendo sua história, reconhecendo sua família.

É a terceira vez que você é indicado para o Oscar na categoria de melhor ator e por interpretar mais uma figura da vida real. Qual é a sensação?

É realmente muito diferente. Uma coisa é ser indicado sozinho. E outra coisa é ser indicado com todo o grupo, o filme. Então é uma coisa muito diferente mesmo. Esta poderia ter sido uma história muito menor. Mas o público está reconhecendo os dons universais e o poder das ideias do filme, é algo lindamente edificante e inspirador para mim.

Você pode compartilhar alguns pensamentos sobre os outros filmes que foram reconhecidos pela Academia? Algum que você viu e pelo qual está torcendo, além do seu, obviamente?

Acabei de ouvir que, com essa indicação, Denzel se tornou o ator negro mais indicado da história. Então, assim que desligarmos, vou postar sobre isso. (Na terça-feira, Denzel Washington ganhou sua décima indicação para o Oscar, por ‘A Tragédia de Macbeth’).

Falando em Denzel Washington, também entendo que 2002 marcou a primeira vez que dois atores negros concorreram ao prêmio de melhor ator. Washington ganhou naquele ano por Dia de Treinamento, e agora, vinte anos depois, vocês estão de volta ao mesmo lugar.

Você sabe que é engraçado, acho que nunca falei sobre isso. Então, nas duas vezes em que fui indicado antes, só perdi para atores negros. Perdi uma vez para o Denzel e a outra para o Forest Whitaker. Então é engraçado, Jada (Pinkett Smith, sua esposa) e eu estávamos conversando sobre inclusão e tudo isso (a questão da falta de diversidade entre os indicados para o Oscar ao longo dos anos) e eu fiquei tipo, “Eu só perdi para atores negros!”(Risos).

Você já falou com o diretor do filme?

Sim, falamos esta manhã. Ele é muito calmo e doce. Eu fiquei tipo, “Cara, seu filme foi indicado para melhor filme, você tem um monte de atores indicados. Você pode rir um pouco, se quiser”. Ele é muito humilde, fica muito feliz pelos outros. E o que amo nele é a forma com que nunca passa por cima dos outros, nem mesmo no set, e isso faz parte da beleza do que foi capaz de criar.

Seu ano passado foi bem grande e agitado, com a estreia de King Richard, a publicação de seu livro de memórias, Will  seu novo documentário do Disney+ sobre o planeta e a nova adaptação de Um Maluco no Pedaço no mês que vem. E agora, com essa indicação, como você planeja comemorar tudo isso?

A gente comemora criando coisas novas. Vivemos celebrando o fato de podermos fazer isso da vida. É como se cada dia fosse a celebração do dom de viver e trabalhar. Eu não penso nisso em termos de “ralar, ralar, ralar e celebrar”. Tipo, vamos só agradecer por esta oportunidade, e a gratidão é uma parte importante da minha crença em como você pode criar coisas grandiosas, viver constantemente em gratidão. Não sinto necessidade de reservar um tempo de celebração desse jeito.

O que mais empolga você na cerimônia de premiação?

Estou animado para homenagear meu elenco e a equipe e Venus e Serena. E vou fazer isso pessoalmente ou na minha sala, se a covid mandar. Mas estou animado para jogar confete sobre o meu povo. TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

 

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