REUTERS/Paul Hackett
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Will Smith: '‘Beleza Oculta’ me ajudou a dizer adeus a meu pai'

O astro bilionário, que morria de vergonha das orelhas de abano, tem chances de ser indicado ao Oscar novamente com este papel; veja o trailer

Paula Baena Velasco, EFE

01 Janeiro 2017 | 03h00

Will Smith interpreta um pai que perdeu a filha em seu último filme, Beleza Oculta (Collateral Beauty, no título original) – com estreia prevista dia 26 de janeiro no Brasil. O personagem, segundo afirmou o ator à EFE, o ajudou a dizer adeus ao pai, recentemente falecido. 

“Para mim, foi uma oportunidade magnífica interpretar um personagem que lidava com a morte da filha quando justamente eu me preparava para a morte de meu pai”, afirmou o ator americano, avaliando que esse foi um dos papéis que mais impactaram sua carreira. 

O amor, o tempo e a morte são o fio condutor do longa-metragem, no qual um publicitário nova-iorquino, devastado, tem de enfrentar a perda da filha de 6 anos. “Desde o momento em que li o roteiro fiquei preso ao conceito de Beleza Oculta”, disse o ator de 48 anos. A ideia é que, “não importa quão ruim seja sua situação, há sempre algo belo pelo que vale a pena viver”. 

O ator duas vezes indicado para o Oscar, por Ali e À Procura da Felicidade, disse que essa “beleza oculta”, em sua opinião, vai sempre estar relacionada ao amor, e isso é muito importante para ele. “Passei a maior parte da vida tentando aprender a amar melhor, ser mais amável, mais alegre, mais cheio de amor.” 

Smith compartilha o elenco desse lacrimoso filme – dirigido por David Frankel – com atores do porte de Helen Mirren, Edward Norton, Keira Knightley, Kate Winslet, Jacob Latimore e Naomie Harris. 

Helen Mirren, ganhadora do Oscar em 2006 por seu papel em A Rainha, representa no filme a morte, vestida de azul. “Disse ao diretor que me negava a usar negro”, afirmou a atriz à EFE. Ela escolheu o azul por ser “a cor da eternidade, do céu e do mar” e transmitir “uma sensação de continuidade”.

Helen, de 71 anos, admite ter medo da morte, mas quando bate esse medo ela se conforta pensando que a morte “une todas as pessoas”. “Meus melhores amigos, meus pais, estão mortos. A morte é algo de que todos compartilhamos.”

O que a levou a aceitar o papel, disse Helen, foi a confiança que o diretor lhe inspira e a vontade de filmar com Will Smith, com quem nunca havia trabalhado. 

Quem também nunca havia contracenado com o “príncipe de Bel-Air” é o ator Edward Norton. Norton disse que foi “genial” trabalhar com Will. Ele, que ficou conhecido por seu papel em As Duas Faces de um Crime (1996), interpreta o melhor amigo do protagonista. Para ele, quando se conhece Will é impossível não ficar seu amigo.

Responsável por grandes sucessos como O Diabo Veste Prada (2006) e Marley & Eu (2008), David Frankel dirige este drama ambientado no Natal de Nova York – reconhecendo que pode haver uma certa “conexão” com o livro Um Conto de Natal, de Charles Dickens. Segundo o diretor, “no filme, como no conto de Dickens, alguém viaja das sombras para a esperança”. 

Não são os fantasmas dos Natais passado, presente e futuro que aparecem a Howard Inlet (Will Smith) – mas o amor (Keira Knightley), o tempo (Jacob Latimore) e a morte (Helen Mirren), para lembrá-lo de que vale a pena viver, apesar das adversidades. 

“Para mim, a mensagem principal do filme é a reconexão com as pessoas de quem se gosta”, disse Frankel, falando da importância de ambientar a história no Natal e em Nova York “pela magia” que a festa e a cidade transmitem. 

Sobre o famoso elenco do filme, o diretor afirmou que “o bom de trabalhar com tantos bons atores foi que eles estavam muito preparados”. 

“É a equipe dos sonhos de Hollywood”, descreveu à EFE o mais jovem dos atores, Jacob Latimore, que definiu como “incrível” a experiência de participar de Beleza Oculta

“Não sabemos como vamos reagir ante uma tragédia como perder um filho”, declarou a atriz Naomie Harris, intérprete da mãe que passa pelo mesmo que o protagonista. Se tivesse de escolher entre mais amor e mais tempo de vida, Naomi disse que sem dúvida preferiria a primeira opção. “Uma vida curta, mas cheia de amor, já vale a pena”, avaliou a atriz. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

O astro bilionário morria de vergonha das orelhas de abano

Já existem apostas em Hollywood de que Will Smith vai de novo para o Oscar. Smith já foi indicado duas vezes para melhor ator, e pelo menos numa delas, deveria ter ganhado, porque seu (Mohamed) Ali era excepcional, e o filme de Michael Mann, idem. Depois disso, foi indicado como o pai que faz de tudo para ficar com o filho em À Procura da Felicidade

Smith volta agora ao papel de pai sofredor, que faz muito bem. Beleza Oculta é sobre um pai que perdeu a filha. Haja, coração. Além do papel dramático, 2016 foi ótimo para Will Smith porque ele se saiu muito bem como herói de ação, liderando o bando de siderados de Esquadrão Suicida. O filme de David Ayer pode não ter feito a superbilheteria que a Warner apostava, mas foi um dos campeões do ano. E a Forbes cravou Smith como astro mais rentável da temporada.

Reunidos, seus filmes já faturaram US$ 6,6 bilhões em todo o mundo. Nada mau para um ex-rapper que tinha complexo das orelhas de ‘abano’ e só relaxou quando descobriu o dom de fazer uma mulher rir.  / LUIZ CARLOS MERTEN

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