Sony Pictures
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Weisz e McAdams, duas Rachel vivem caso de amor em 'Desobediência'

Grávida do primeiro filho, Rachel Weisz, que é casada com Craig, fala sobre o novo filme

Maureen Dowd, THE NEW YORK TIMES

21 Junho 2018 | 06h00

Rachel Weisz está brilhando. Isso não é algo extraordinário. Eu já a entrevistei antes e a vi em festas de cinema e teatro, e ela sempre está brilhando. Eu sei que se perguntar como aos 48 anos, de olhos cor de avelã, cabelos negros, ela fica a cada ano mais bonita, desafiando a tendência de Hollywood de empurrar atrizes nos seus 40 anos em direção a um alçapão, ela timidamente vai negar. Mas meus editores querem saber. Então, enquanto nos sentamos em sua cozinha no East Village, em Manhattan, num apartamento com janelas panorâmicas e elegantes tapetes orientais e um gato de olhos verdes chamado Solomon e James Bond por lá, com camiseta verde, jeans e meias, pergunto novamente: “Você não têm algum segredo para compartilhar com os leitores do New York Times, como uma máscara facial de abacate ou acupuntura?”.

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A atriz explica que já teve um rosto redondo como a lua, mas, ao ficar mais velha, perdeu o aspecto roliço e encontrou suas bochechas. Mas então ela fica com pena de mim, uma observadora supostamente treinada, e puxa o suéter cinza solto que está usando para revelar seu segredo. “Vai estar aparecendo em breve”, diz ela, com um sorriso radiante. “Daniel e eu estamos tão felizes. Mal podemos esperar para encontrá-lo ou encontrá-la.”

Uau, eu digo, sorrindo de volta para ela. Weisz já tem Henry, de 11 anos, com seu ex-parceiro, o diretor Darren Aronofsky. E Craig, 50 anos, tem uma filha de 25 anos, Ella, com a atriz Fiona Loudon.

Rachel e Craig, casados há sete anos, compartilham uma qualidade similar na tela. É difícil desviar o olhar deles. Isso é verdade pessoalmente também. Como os dois estão em balcões opostos, Weisz me oferecendo chá e Craig preparando um cappuccino, é difícil saber para que lado virar. “Daniel faz um ótimo cappuccino”, ela diz, então eu escolho isso.

Notícias de bebê à parte, a verdadeira razão de eu estar abaixo da 14th Street é discutir sexo lésbico ardente. O último filme de Weisz, Desobediência, que estreia nesta quinta, 21, no Brasil, que ela também produziu, é sobre uma jovem que se distancia de seu pai, um rabino ortodoxo altamente respeitado no norte de Londres. Ela é persona non grata em sua comunidade fechada - na qual relacionamentos homossexuais são proibidos - por causa de relacionamento adolescente que teve com sua amiga Esti (Rachel McAdams).

A personagem de Weisz, a fotógrafa Ronit, que mora em NY, volta para o funeral de seu pai e é enfeitiçada por Esti, agora casada com o protegido do rabino, Dovid (Alessandro Nivola). O filme centra-se tanto nesse triângulo-tabu quanto no complicado relacionamento pai-filha em uma sociedade em que as mulheres não respondem por suas escolhas, usam perucas e muitas vezes são segregadas dos homens. “Minha personagem faz uma viagem no tempo porque vai morar em uma comunidade em que os costumes não mudaram por centenas de anos. Eles não têm internet nem TV e tudo mais.”

A falecida mãe de Weisz, uma professora que se tornou terapeuta, era refugiada de Viena porque seu pai era judeu. O pai de Weisz, engenheiro e inventor, veio de uma família ortodoxa judaica de Budapeste, fugiu dos nazistas e foi para Londres com a família quando criança.

Segundo o IndieWire, depois que estreou no Festival de Toronto, Desobediência rapidamente ficou conhecido como “o filme no qual Rachel Weisz cospe na boca de Rachel McAdams” e também como “Judeu é a cor mais quente” numa referência ao romance lésbico francês de 2013 Azul É a Cor Mais Quente.

Pergunto a Weisz como foi a primeira cena de amor com uma mulher. “Menos barba”, diz ela, acariciando a bochecha. “Mais suave. Acho que nos sentimos muito vulneráveis e havia uma doçura real. Não sei se atores masculinos fazem essa pergunta, mas sei que as mulheres normalmente pensam: ‘Essa cena de sexo é realmente necessária?’. E, nesse caso, é essencial. Toda a história da repressão leva a esse momento.”

Weisz foi atraída para fazer o filme, adaptação do romance de Naomi Alderman, não por causa do enredo lésbico, ela conta, mas porque queria explorar a relação entre mulheres na qual elas não eram definidas por homens, em que não havia uma “história de propriedade”. “Apenas pensei: ‘Perfeito: um relacionamento entre duas mulheres que tem sido uma amizade desde a infância e há amor e sexualidade, desejo e coisas relacionadas à liberdade’.”

Ela lembra também ter lido muita literatura lésbica quando estava em busca de um filme para fazer. “Há um ciclo de romances de ficção barata dos anos 1950 chamado The Beebo Brinker Chronicles, de Ann Bannon. Journey to a Woman é o meu favorito. Eu a conheci e ela é fascinante. Era uma mulher gay vivendo um casamento heterossexual na década de 1950, e começou a escrever romances lésbicos de ficção. ” Sobre as leitura, Rachel acrescenta: “Também li o romance lésbico francês The Illusionist, de Françoise Mallet-Joris, sobre uma garota que tem um caso com a amante do pai. Dark, mas ótimo”.

Weisz parece flutuar acima do relacionamento torturado de Hollywood com as mulheres. Ela diz que não teve nenhuma experiência #MeToo e, após entrar na franquia A Múmia, encontrou papéis femininos sensuais e fortes em série de filmes independentes e alguns de grande orçamento. Rachel criou a produtora LC6 para procurar mais projetos para contar histórias sobre mulheres./ TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

 

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