Walter Salles volta às telas com filme sobre "Che"

Walter Salles está voltando. Seis anos depois, ele estará de volta ao Sundance Festival, para apresentar Diários de Motocicleta em 17 de janeiro, e depois vem Berlim em fevereiro. Salles tem desenvolvido uma parceria frutífera com o produtor Arthur Cohn, mas desta vez o projeto lhe foi oferecido e produzido pelo próprio Robert Redford, o homem por trás de Sundance. ?O financiamento veio do Film 4, uma espécie de TV Cultura inglesa. ?Foi o que nos deu total liberdade de criação, foi o que me permitiu filmar em espanhol e não em inglês. Trabalhar com o Redford foi um privilégio?, conta Salles. ?Aprendi muito nestes três anos de convivência. Ele me ofereceu aquilo que é essencial para todo diretor que trabalha no território do filme independente ? liberdade para escolher os atores e o corte final.?Há uma curiosidade intensa pelos Diários. A soma das personalidades do diretor e do biografado (Che Guevara) faz do filme, antecipadamente, uma daquelas obras que parecem destinadas a virar cult. Salles nasceu belo, rico, filho de banqueiro. A formação humanista fez dele o artista que é. Em plena era da globalização, ele vem agora com esse filme pré-revolução, sobre um ícone da esquerda.?Não sei antecipar como será a acolhida para Diários?, diz Salles numa entrevista por e-mail. Anda correndo muito, os horários estão desencontrados e, por isso, ele se comunica desta forma, embora prefira o contato direto, de olho no olho, ou então por telefone, onde a comunicação fica mais direta. ??Diários? vai nascer no Festival de Sundance. É um pouco como o nascimento de um filho. A gente fica querendo vê-lo caminhar com as próprias pernas, mas também fica preocupado em protegê-lo.?O jovem Che de Walter Salles é interpretado pelo ator mexicano Gael García Bernal, que a assessora de Imprensa da distribuidora dos filmes do diretor, a Lumière, Anna Luiza Müller, está chamando de ?Gatel?, porque o cara é um gato. Gael é jovem, bonito, talentoso e ainda fez aquele discurso politizado na festa de entrega do Oscar, em março. Parecia haver incorporado o jovem Che. Falou da perspectiva de um homem latino que vai à festa dos poderosos e discursa pela paz e contra a exclusão. ?Convidei o Gael para fazer o jovem Ernesto antes da estréia de ?Amores Perros? nos Estados Unidos, em 1999?, explica o diretor. ?Ele é um dos atores mais talentosos com quem já trabalhei. É um cara e tanto. Acabamos ficando muito amigos.?Voltar para Sundance com Diários de Motocicleta é, para Salles, ?um pouco como voltar para casa?. Todos os filmes de estrada que ele fez depois nasceram ou passaram no festival de Robert Redford. A expectativa é imensa ? em 17 de janeiro estará nascendo um filme que se antecipa especial. Um grande filme? Aguarde a resposta no ano que vem.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.