Walter Salles produz por "escolha e necessidade"

"Para mim, produzir é ao mesmo tempo uma escolha e uma necessidade", disse o cineasta brasileiro Walter Salles, jurado do 55.º Festival de Cannes, em entrevista publicada hoje pelo Le Film Français. "Graças ao sucesso de Central do Brasil, que só no Brasil foi visto por 7 milhões de pessoas e ganhou 55 prêmios em todo o mundo, a empresa que dirijo, a VideoFilmes, pôde ajudar jovens cineastas de meu País a realizar seu primeiro ou segundo filme, como Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, ou Madame Satã, de Karim Ainouz, que estão na seleção oficial do Festival de Cannes.""A França é nosso sócio privilegiado", acrescentou Salles. "Primeiro porque amo o cinema francês. Depois, porque é meu segundo idioma. Penso que a França tem tido um papel muito importante na defesa da diversidade cultural e todos nós no Brasil temíamos que, com uma mudança de governo, este enfoque democrático se perdesse."O último filme de Salles, Abril Despedaçado, que passou no Festival de Veneza, estréia nos cinemas franceses em 26 de junho, e está tomando forma o projeto inspirado na viagem de motocicleta pela América Latina do jovem Ernesto Che Guevara e seu amigo Alberto Granado, que será produzido pela empresa de Robert Redford."O êxito de Central do Brasil me abriu portas e quero democratizar esta abertura dando espaço aos mais jovens", disse, acrescentando que vê um bom futuro para o cinema brasileiro com o surgimento de novos talentos. Quadro que se repete na Argentina, avaliou, "onde uma nova geração de cineastas talentosos como Pablo Trapero, Lucrecia Martel, DanielBurman e Pablo Reyero trabalham com veteranos como Fernando Solanas e Luis Puenzo".Para Salles, instituições como a Ibermedia, que reúne alguns dos principais produtores latino-americanos "é um ferramenta necessária e eficaz porque o cinema independente e plural não pode existir fora de Hollywood sem a ajuda do governo".

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