Wall-E, um robô cativante para crianças e adultos

Robozinho de 'Wall-E', a nova animação da Pixar, evoca 'Short Circuit, O Incrível Robô'

Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo,

08 de junho de 2026 | 17h32

Pode ser mera coincidência, mas o formato do robozinho de Wall-E, a nova animação da Pixar, que estréia nesta sexta-feira, 27, evoca Short Circuit, O Incrível Robô da fantasia científica de John Badham, de 1986. Passaram-se 22 anos e Short Circuit pode ter sido uma referência distante, mas a animação de Andrew Stanton começou a nascer no começo dos anos 90, numa conversa do diretor com o hoje poderoso diretor artístico da Pixar, John Lasseter.   Trailer de 'Wall-E'   Eles conversavam sobre ficção científica, robôs e passaram a desenvolver o conceito de um filme em que o robô não fala, somente emite alguns ruídos. É o que ocorre em Wall-E. Desta vez não vai fazer muita diferença assistir à versão dublada ou legendada. Há um mínimo de diálogos em Wall-E e na primeira meia hora, ou 40 minutos iniciais, a história é contada por meio da imagem, da música e do ruído. As palavras que aparecem, como a explicação da própria sigla Wall-E, que designa robôs especializados em catar o lixo das cidades, são impressas, não faladas.   Tomando-se como base o ano de 1895, quando os Irmãos Lumière fizeram sua primeira exibição do Cinematógrafo, no Grand Café de Paris, o cinema é uma arte - uma linguagem, um meio de expressão - pouco mais do que centenário. São 112 anos, só em dezembro serão 113. Durante boa parte deste período, a ficção científica tem nos advertido sobre os riscos da automação e da destruição ambiental. Desde 2001, Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, a máquina, em especial, tem sido a grande inimiga, sempre prestes a querer assumir o poder (e a controlar os homens) - lembre-se do olho de Hal-9000, que tudo vê. Assim como o robô reproduz o doce Short Circuit, a máquina ameaçadora baseia-se em Hal-9000 e por aí se vê que não são, simplesmente, meras coincidências.   Na trama de Wall-E, a Terra do futuro é um imenso cenário devastado. Restaram somente o robozinho e sua amiga barata. Ele recolhe lixo, metodicamente. Em seu refúgio, assiste, na TV, a musicais - a um musical, Hello Dolly. A Terra foi abandonada há 700 anos. Os últimos sobreviventes partiram num cruzeiro espacial, a bordo de uma supernave, Axiom. Chega essa nave para investigar as condições na Terra. Dela salta uma fêmea robô de última geração, e cuja sigla é Eva, como a primeira mulher. Wall-E não apenas se apaixona como mostra a Eva sua descoberta - uma minúscula planta que indica que o planeta pode voltar a ser habitável. A planta e Wall-E vão parar no interior da Axiom, mas as máquinas, ou a supermáquina que controla a tripulação e os passageiros vai tentar destruí-la. Wall-E vai virar o salvador da humanidade.   O robô é cativante, a barata é divertida e o som do filme é sofisticadíssimo. Wall-E tem a garantia de qualidade da Pixar. Você, adulto, vai suplicar a seus filhos e sobrinhos, ou filhos e sobrinhos de amigos, que o levem para ver e rever a história de Wall-E. Uma coisa, bem entendido, não tem nada a ver com a outra, mas só não vale esperar um novo Ratatouille. Se houvesse uma batalha entre Wall-E e o ratinho, sua causa seria perdida. O próprio Andrew Stanton pode estar acertando de novo, mas já fez coisa ainda melhor - Procurando Nemo.   Wall-E (EUA/ 2008, 105 min.) - Animação. Dir.: Andrew Stanton. Livre. Cotação: Bom

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