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Wagner Moura vive falsário em 'Vips', de Toniko Melo

Filme começa a ser exibido em circuito nacional nesta sexta-feira, 25

Ana Clara Jabur, Estadão.com.br

21 de março de 2011 | 18h20

Se a grande maioria das pessoas vive em busca de uma identidade, o falsário Marcelo Nascimento da Rocha teve que lidar com várias, até ser preso. A história do homem que enganou celebridades e se fez passar pelo herdeiro da companhia aérea Gol é mostrado em Vips, que estreia nos cinemas nesta semana. Dirigido por Toniko Melo, o filme mostra as façanhas de Marcelo, interpretado por Wagner Moura.

"O filme conta a história de um menino esperto que não consegue canalizar sua inteligência para coisas boas. É alguém que não vê as coisas como todo mundo, mas tem a mesma busca de todos, de saber quem ele é ou o que vai ser no futuro", afirma Wagner, na apresentação do filme para a imprensa nesta segunda-feira, 21, em São Paulo.

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video Assista ao trailer de Vips 

Preso desde 2001, Marcelo tem sua história contada no livro Vips - Histórias Reais de um Mentiroso, de Mariana Caltabiano. Mas o que se vê na tela é algo menos biográfico. Toniko explica que o personagem tem características próprias, desenvolvidas a partir do roteiro de Braulio Mantovani (Cidade de Deus) e Thiago Dottori. "O filme nasce antes do livro, que é uma peça na qual se baseia, mas a ficção tem mais força dramática e por isso optamos por trabalhar nesse sentido", afirma Toniko.

Wagner Moura conta que não conheceu Marcelo "por uma opção estética", depois de já ter começado a construir o personagem a partir do roteiro. "É claro que todos nós temos nosso julgamento moral. O estelionato é um crime covarde. Mas o que eu vi no roteiro era um personagem pronto. A história de um menino que busca uma identidade, e não a de um estelionatário simplesmente", diz.

Ao falar sobre Marcelo, o ator - ele mesmo um colecionador de personagens - estabelece um vínculo. "Ele é muito honesto quando se encontra em cada personagem, muito mais que um ator. Muito verdadeiro enquanto finge ser outra pessoa", afirma. Wagner explica que havia um vazio a ser preenchido, já que haviam várias personalidades envolvidas. O papel da mãe do falsário, vivida por Gisele Fróes, foi fundamental. "É o olhar materno que determina o que a gente é desde pequeno. Por isso foi mais fácil entender o personagem quando ele interage com a própria mãe", explica.

Gisele - melhor atriz coadjuvante no Festival do Rio - diz que fez o caminho inverso e conseguiu determinar fatores decisivos na formação do caráter do protagonista. "A superficialidade dela determina que ele é. No fim, é um filho que correspondeu às expectativas da mãe, que valorizava o mundo das celebridades. Talvez por isso, ele tenha buscado aparecer no televisão, o que levou à sua prisão", afirma Gisele.

As várias personalidades de Marcelo exigiram mudanças no visual do ator. Quando jovem, ganha cabelos longos e lisos, depois descoloridos e, mais tarde, corte de executivo. A faceta de aviador rendeu ao ator alguns conhecimentos técnicos. "Tomei aulas. Nas cenas em que apareço taxiando aquele aviãozinho vermelho, sou eu mesmo. Não tem dublê", explicou. "Tenho condições físicas e psicológicas até de decolar um avião. Basta ter alguém para pousar", brinca Wagner.

Vips, que já foi exibido nos festivais do Rio, Tiradentes e na Mostra São Paulo, chega aos cinemas de todo o país nesta sexta-feira, 25.

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