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Wagner Moura se encontra com ele mesmo em 'O Homem do Futuro'

Filme de Claudio Torres mistura de comédia romântica com uma dose de ficção científica

Maiara Camargo, Jornal da Tarde

02 Setembro 2011 | 08h36

Em A Mulher Invisível (2009), a imaginação fez com que o personagem do ator Selton Mello fosse capaz de conversar com si mesmo, com ajuda de uma namorada que só existia em sua cabeça. Agora, o cineasta Claudio Torres (Redentor e A Mulher do Meu Amigo) utiliza o tempo para aprimorar essa façanha e fazer Wagner Moura, no papel de Zero, se encontrar não apenas com uma versão dele mesmo, mas com duas. Com orçamento de R$ 8 milhões, O Homem do Futuro, mistura de comédia romântica com uma dose de ficção científica, chega hoje aos cinemas com a promessa de se tornar o grande sucesso nacional do segundo semestre.

A premissa do longa-metragem nasceu exatamente de uma cena de Mulher Invisível. “Estávamos filmando uma sequência em que Selton brigava com Luana (Piovani). Falei: ‘Vai para o lugar dela e diz o texto’”, lembra Torres. “A cena dele contracenando com ele mesmo é uma das que eu mais gosto do filme. Então, percebi que ali havia um assunto interessante.”

No início da trama, Zero (Wagner Moura), um cientista genial e amalucado, está obcecado com o desejo de montar um acelerador de partículas, capaz de criar uma nova forma de energia. Com um ar de derrotado e um quê cômico, o homem busca em seu trabalho um jeito de esquecer o fatídico dia 22 de novembro de 1991. Data em que começou a namorar Helena (Alinne Moraes), a garota mais linda da faculdade, foi humilhado em uma festa à fantasia e levou o maior fora de sua vida.

O problema é que o aparelho criado por Zero não funciona da forma esperada e o leva diretamente ao ano de 91, dando a chance para que mude toda a trajetória de sua vida, o que, claro, vai causar muita confusão. Não, qualquer semelhança com a trilogia De Volta Para o Futuro ou A Dona da História não é mera coincidência (leia mais abaixo). Aqui, vale ressaltar a qualidade dos efeitos especiais criados por Torres e sua equipe. São simples, mas convencem. Merece também destaque a recriação do Rio no início dos anos 90. Os carros, as roupas, os celulares enormes e a presença na TV de Fernando Collor de Mello, no auge de seu mandato, constroem a ambientação.

Com adereços simples, os atores vivem os personagens em duas fases: aos quase 20 anos e na faixa dos 40. Para Maria Luisa Mendonça, que dá vida a uma amiga de Zero, o figurino ajudou. “A história se passa num baile à fantasia. Então, isso já te coloca de maneira diferente em cena”, diz. No caso de Fernando Ceylão, que interpreta o comparsa do cientista, a barba e a postura fizeram toda a diferença na hora de compor seu personagem. “Usei barba para parecer mais velho e ergui o queixo para ficar sem papada na versão jovem.”

A produção tem bons momentos cômicos, sem apelar para o humor bobo. Como no rápido – e espirituoso – diálogo entre Zero e um transeunte engravatado (Gregorio Duvivier) e a admiração do protagonista ao perguntar em um bar se é permitido fumar lá dentro. As dicas sobre o futuro que Zero distribui pelo caminho também rendem boas risadas. Uma delas é: em hipótese alguma, estejam em Nova York no dia 11 de setembro de 2001.

O resultado da viagem de Zero é (tcharam!) uma nova viagem no tempo, para tentar recuperar seu amor, o que possibilita o tal encontro entre ele, ele mesmo e ele outra vez. Tudo na mesma festa à fantasia.

A capacidade que Wagner Moura tem de se reinventar a cada diferente Zero impressiona. Ceylão é outro que segura o personagem com louvor.

Antes do malvado Ricardo (Gabriel Braga Nunes) humilhar Zero, Helena, a bela Alinne Moraes, solta a voz em Tempo Perdido, da Legião Urbana. Soam os versos: Todos os dias quando acordo/Não tenho mais/O tempo que passou. Lindo. O único contratempo é que, quando o personagem de Moura acompanha a amada, o filme remete a Vips, em que ele cantou Será, música da mesma banda.

Com atores globais, mas sem criar um ar novelesco, a obra bebe em referências variadas, mas consegue amarrar tudo de maneira despretensiosa. E divertida.

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