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Wagner Moura quer que 'Praia do Futuro' vá além de sua cena gay

'A gente sabe que ainda existe preconceitro pra caramba contra homossexuais. Só não vamos ficar só nisso', afirmou

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

06 de maio de 2014 | 17h26

É um filme sobre afeto - sobre um grande amor e muita raiva. A definição surgiu durante a coletiva de Praia do Futuro, realizada à tarde, após a exibição do filme de Karim Ainouz para uma plateia de jornalistas, no Shopping Frei Caneca. Senão raiva, uma certa exasperação tomou conta do elenco por conta de uma questão que apareceu com força. Wagner Moura, o Capitão Nascimento de Tropa de Elite 1 e 2, faz um personagem gay. E a imprensa - parte dela, pelo menos - centra fogo na pergunta que não quer calçar - sobre quão difícil foi para Wagner fazer as cenas íntimas com o ator alemão Clemens Shieck.

"Cenas de sexo são sempre delicadas e dependem muito de com quem você as faz. O fato de ter conhecido o Clemens, de termos nos preparado, nos descontraiu para fazer o que era preciso. Mas eu não creio que essa seja a questão essencial de Praia do Futuro. O filme é muito mais complexo que isso. Acho bom, é político falar sobre um cara gay com naturalidade. A gente sabe que ainda existe preconceitro pra caramba contra homossexuais. Só não vamos ficar só nisso."

Clemens Shieck reforçou a fala de Wagner - "Ninguém, me pergunta se é difícil fazer um personagem heterossexual, só o gay. Dar vida a um personagem, qualquer que seja,é descobrir o outro, é entendê-lo." Sobre sair ou não do armário, Wagner bateu pesado - "O que eu faço em casa, com minha mulher, é questão de foro íntimo. Não interessa a ninguém. Sou contra a exploração da intimidade dos atores. O mistério faz pate da atuação, ajuda na criação dos personagens. Ninguém tem nada a ver com o que o cara gay faz na casa dele. E o Donato (nome do personagem) é o personagem mais próximo do Capitão Nascimento que já fiz. O gay não precisa ser um estereótipo. Pode ser viril, e ele é."

Wagner queria muito trabalhar com o diretor Karim Ainouz. Confessa que o assediou. "Donato é um personagem muito rico. Ele abandona esse irmão menino que depois vai atrás dele na Alemanha. Tem muito drama aí para ser vivido. E o fato de ser gay faz parte da tônica dele, embora não seja só isso." Wagner anunciou que se prepara para viajar para a Colômbia. Vai fazer uma série sobre Pablo Escobar com o diretor de Tropa, José Padilha. "Vai ser um projeto grande e ambiocioso." Por conta disso - serão duas temporadas - ele estima que ficará uns dois anos por lá. Vai fazer em espanhol. Sua aguardada estreia na direção de longa - o filme sobre Marighella, após o videoclipe de Vanessa da Mata- está sendo postergada. "Devo filmar em 2016", anuncia.

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