"Voltando a Viver" discute a negritude

É possível uma pessoa transmitir, só pela voz, todo o sofrimento que experimentou? É a impressão que Antowne Fisher passa numa entrevista por telefone. É o poeta, romancista, roteirista e também personagem de Voltando a Viver, que estréia hoje na cidade. Na verdade, este é o título ou o subtítulo que o filme de Denzel Washington recebeu no Brasil. No original, é mesmo Antwone Fisher. Seu discurso é marcado pela consciência da negritude.Leia mais No filme, Antowne Fisher, interpretado pelo estreante Derek Luke, é um marinheiro esquentado, que vive brigando. Sob pena de ser desligado da Marinha, é enviado para avaliação de um psiquiatra. Denzel Washington é o intérprete do papel. No filme, ele se chama Jerome Davenport. Jerome era mesmo o nome do médico que ajudou Atowne Fisher a dar uma guinada em sua vida. Davenport é um nome de fantasia. É fácil, demasiado fácil até por não ser verdadeiro, comparar Voltando a Viver e Gênio Indomável. O filme de Denzel Washington seria a versão black do trabalho que Matt Damon e Ben Affleck escreveram (e Gus Van Sant dirigiu). "Só se eles me copiaram", diz Fisher, numa das raras vezes em que ri, durante a conversa de meia hora. Ele escreveu o roteiro há mais de dez anos. Só depois surgiu o livro que foi um êxito editorial e projetou seu nome. Desde 1996, Denzel Washington tinha a opção de filmar. O roteiro de Fisher foi enviado ao ator por seu agente. O grande Denzel logo se interessou, pagou pela opção, mas como sua agenda estava muito lotada demorou anos até conseguir concretizar o projeto. No intervalo, Fisher transformou seu roteiro em livro - "Para ampliar histórias que não entraram no script ou ficaram muito reduzidas" - e também publicou o livro de poesias. Justamente a poesia que dá título ao volume não estava no roteiro original. Foi incorporada depois - "como homenagem ao Dr. Jerome", explica Fisher. "Significava muito para ele."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.