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'Viver é Fácil de Olhos Fechados' evoca permanência de ideais de liberdade

Filme de David Trueba aborda a ditadura espanhola

Luiz Zannin Oricchio, O Estado de S. Paulo

12 Outubro 2015 | 19h54

O título - Viver é Fácil de Olhos Fechados - vem de um verso de Strawberry Fields Forever, dos Beatles. A ação passa-se nos anos 1960, na Espanha franquista. O que pode haver em comum entre os libertários rapazes de Liverpool e um país sob uma ditadura fascista? Bem, muita coisa. A começar por um fato real, em torno do qual se estrutura a ficção. Em 1966, John Lennon esteve na Espanha para rodar um filme na região de Almería (onde foram feitos muitos westerns spaghetti). Tratava-se da comédia Como Ganhei a Guerra, de Richard Lester.

Antonio (Javier Cámara, o enfermeiro do almodovariano Fale com Ela) é um professor de inglês que sonha conhecer Lennon. Ele ensina o idioma aos alunos usando letras de músicas e adora os Beatles acima de todos. De modo que resolve pegar seu carro e ir em busca do beatle. Quer conhecê-lo e tem um pedido a fazer, como o espectador descobrirá no final. 

No percurso, em seu carro velhinho e pequeno, Antonio ainda dará carona a dois jovens em fuga. A garota é Belén (Natalia de Molina), grávida e internada pela família num convento para que ninguém saiba do seu “mau passo”. O outro é Juanjo (Francesc Colomer), menino hostilizado pelo pai militar porque usa cabelos compridos...à maneira dos Beatles. 

Bem, aí temos a insubmissão em meio ao franquismo. Não qualquer tipo de resistência armada, e nem mesmo uma contestação política. Simplesmente um professor com ideias liberais, um garoto que deseja usar cabelos compridos como seus ídolos, uma garota que não aceita ser tratada como pária por uma gravidez precoce. 

O diretor David Trueba ajusta o tom libertário a uma linguagem cinematográfica que nos passa sensação de nostalgia - mesmo que nenhum espanhol em sã consciência possa ter saudade daquele tempo. Os personagens principais são críveis e comoventes. Javier Cámara empresta digna humanidade ao seu papel de professor. E mesmo personagens secundários entram com bravura na trama, a começar por um catalão, que, com seu filho doente, mantém um bar de beira de estrada perto de Almería. Bonito filme, vencedor de seis prêmios Goya, o “Oscar” espanhol.

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