Divulgação
Divulgação

Há 15 anos morria Vittorio Gassman, um dos grandes nomes do cinema italiano

Ator também atuou no teatro, em grupo de Luchino Visconti; confira alguns trabalhos, como o trailer de 'Perfume de Mulher' 

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2015 | 19h15

Alberto Sordi, Nino Manfredi, Ugo Tognazzi, Vittorio Gassman. Foram os reis da comédia italiana. Morreram todos, mas permanecem vivos no imaginário do público. Começa dentro de alguns dias a retrospectiva de Ugo Tognazzi. Ele merece. Mas bem que poderia haver outra para lembrar os 15 anos da morte de Gassman, que se completam neste 29 de junho.

Vittorio Gassman nasceu em Gênova, em 1.º de setembro de 1922, em uma família de ascendência alemã. Aos 20, em plena guerra, estreou no teatro, em, Milão. Na Academia Nacional de Arte Dramática, em Roma, foi colega de Paolo Stoppa, Rina Morelli e Adolfo Celi, que veio para o Brasil e dirigiu cinema e teatro, formando com Tônia Carrero, que foi sua mulher, e Paulo Autran a Cia. Tônia/Celi/Autran.

Em 1946, aos 24 anos, estreou no cinema com Preludio d’Amore. No ano seguinte, participou de cinco filmes. Em 1948, estourou com Arroz Amargo, de Giuseppe de Santis, dividindo a cena com Silvana Mangano e Raf Vallone. No teatro, Gassman seguiu fazendo de tudo, mas com acentuada preferência pelo drama. Com Stoppa e Morelli, integra a companhia teatral de Luchino Visconti, mas, ao contrário dos outros dois, não migra para o cinema com as obras-primas do diretor.

Em 1959, Gassman está com 37 anos quando algo se passa - Mario Monicelli faz dele um dos protagonistas de Os Eternos Desconhecidos. Nesta altura, já passara por Hollywood, filmando com Elizabeth Taylor e casando-se com Shelley Winters, e era conhecido como' Il Matatore/O Matador', nome que recebeu a partir de um programa na nascente TV italiana, em meados dos anos 1950. O ‘matador’ era também um grande sedutor. Casou-se quatro vezes (com Nora Ricci, Shelley Winters, Juliette Mayniel e Diletta d’Andrea). Dino Risi, o mestre da tragicomédia, o Michelangelo Antonioni do humor, percebeu essa característica da personalidade de Gassman e a explorou em Aquele Que Sabe Viver/Il Sorpasso, de 1962.

Com Monicelli, Gassman fez outros filmes que ficaram célebres - A Grande Guerra, O Incrível Exército de Brancaleone, Brancaleone nas Cruzadas. Com Risi fez Os Monstros, O Caradura, O Tigre e a Gatinha, O Profeta, Os Novos Monstros, Esse Crime Chamado Justiça e Perfume de Mulher, o original, pelo qual recebeu o prêmio de melhor ator em Cannes. Mais tarde, o filme foi refeito em Hollywood e Al Pacino recebeu o Oscar. Com Ettore Scola participou do cultuado Nós Que Nos Amávamos Tanto, de O Terraço e O Jantar. Com Robert Altman fez Cerimônia de Casamento e Quinteto

Vittorio Gassman foi também escritor e gravou muitos discos recitando os grandes da literatura italiana, de Dante a Leopardi e Manzoni. Recebeu todos os prêmios que a Itália dedica a seus atores e atrizes. Uma cena define seu carisma. Em Il Sorpasso, ele dança coladinho com a gostosona. Ela se separa, olha para baixo e pergunta (você sabe o que?). Com cara de anjo, Gassman, o que sabia viver, responde - ‘Modéstia à parte’. Com outro ator e outro diretor talvez ficasse vulgar. Com Gassman, a plateia morria de rir (e aceitava a cafajestice).

 

::: Cultura Estadão nas redes sociais :::
:: Facebook ::

:: Twitter ::

Mais conteúdo sobre:
CinemafilmeVittorio Gassman

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.