Vítima de Polanski libera o cineasta

O cineasta Roman Polanski deve ser julgado por seus méritos, e não por seu crime. Essa é a opinião da vítima de uma agressão sexual cometida por Polanski em 1977, publicada no domingo no jornal Los Angeles Times. O diretor polonês declarou-se culpado de ter relações sexuais com a americana Samantha Geimer, que em 1977 tinha 13 anos, mas saiu dos EUA enquanto vigorava sua liberdade condicional. Ele, por isso, é considerado um fugitivo da justiça nos Estados Unidos. ?Não tenho ressentimento contra ele, e nem simpatia?, escreveu Samantha. ?Mas creio que o senhor Polanski e seu filme deveriam ser honrados segundo a qualidade do seu trabalho. O que ele faz para ganhar a vida não tem nada a ver comigo ou com o que fez comigo?. Samantha também disse no artigo que Polanski fugiu dos Estados Unidos depois que um juiz rejeitou um acordo proposto pelos advogados do diretor, da própria Samantha e por um fiscal federal dos EUA, o que poderia dar fim ao problema. O caso voltou à tona porque Polanski recebeu sete indicações ao Oscar por seu último filme, O Pianista. Ele próprio está indicado para o Oscar de melhor diretor e O Pianista vai disputar o prêmio máximo de melhor filme. Mas o cineasta pode não aparecer em Los Angeles no dia 23 de março, uma vez que a polícia americana já avisou que, se ele for, não o poupará da cadeia. Apesar disso, as chances de O Pianista no Oscar são grandes. Não bastassem o número de indicações, o filme recebeu neste fim de semana uma dupla consagração na Europa. O Pianista venceu sete prêmios César, o Oscar francês, no sábado. Entre eles, o de melhor filme e melhor diretor. No dia seguinte, Polanski repetiu a dose na Inglaterra. O filme foi o melhor no Bafta, o prêmio máximo do cinema na Inglaterra, e ele também venceu na categoria de melhor diretor.

Agencia Estado,

24 de fevereiro de 2003 | 19h13

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