Violência em novo filme de Tarantino preocupa Hollywood

Morte, sangue e muitas vísceras... o novo longa-metragem de Robert Rodríguez e Quentin Tarantino, Grindhouse, cuja première estava prevista para segunda-feira, 26, nos Estados Unidos, abusa tanto da crueldade que Hollywood já teme uma regulamentação sobre a violência explícita nos filmes.Não podia ser diferente, já que o filme evidencia duas carreiras marcadas tanto pela qualidade quanto pela exagerada violência.Títulos como O Mariachi e Sin City, no caso de Rodríguez, e Pulp Fiction - Tempo de Violência e Kill Bill, no de Tarantino, atestam a vertente dos dois roteiristas.O novo trabalho dos cineastas revive o sabor das antigas sessões duplas de filmes B, mais lembradas pela violência gratuita do que pela profundidade de suas histórias.Apesar de todo o estardalhaço, nenhum dos dois se desculpou pelas intenções de um filme no qual, por exemplo, os genitais de Tarantino se desintegram em uma sala, vítima de uma praga mortal que transforma o produtor em um zumbi em Planet Terror, o título da história sob os cuidados de Rodríguez.Nem mesmo pelo fato de a perna da belíssima Sydney Tamilia Poitier (filha do ator Sydney Poitier) ser jogada pela janela de seu automóvel em Death Proof, a parte do filme rodada por Tarantino."Grindhouse é uma homenagem aos filmes que amo há décadas e que no geral passaram despercebidos e foram esquecidos", comentou Tarantino em um comunicado antes da estréia.No entanto, o filme chega em um momento que não tem passado despercebido por Hollywood nem por aqueles que, dentro da esfera política, se preocupam com a moral das produções e seu impacto nos mais jovens.Nova safra de terrorGrindhouse, que traz um festival de sangue, será distribuído por todo os Estados Unidos a partir de 6 de abril, e dificilmente encontrará concorrência entre as produções do gênero.Atualmente, os cartazes espalhados por Los Angeles são testemunhas mudas dos caldeirões de sangue que Hollywood está disposta a derrubar sobre seus espectadores nas próximas semanas.Uma das campanhas mais fortes é a de A Colheita do Mal, filme de suspense sobrenatural que traz entre suas pragas demoníacas um rio transformado em sangue.Também estrearão em breve nos cinemas americanos O Retorno dos Malditos, que mostra um brutal massacre de soldados por mutantes de um deserto; Dead Silence, sobre um boneco assassino; e A Estranha Perfeita, que traz uma figura ameaçadora.A profusão de filmes de terror já é normal nesta época do ano nos EUA. Na primavera e no outono americanos, os cinemas são tingidos de vermelho para matar o tempo e dividir os lucros com as grandes superproduções lançadas no verão ou com os aspirantes ao Oscar que só estrearão perto do fim do ano.No entanto, o número de filmes de terror na atual temporada impressiona e motivou o primeiro relatório feito desde 2000 por uma comissão governamental sobre a violência no cinema, na música e nos videogames.Há sete anos, os apelos e o controle governamental cederam a favor de auto-regulações dentro da indústria cinematográfica. Agora, o novo documento chega em um momento mais delicado, dada a proximidade das eleições e o crescimento do gênero.Baixo custo Segundo comentaristas, nos últimos sete anos, o crescimento dos thrillers atingiu marcas expressivas, após sucessos como Jogos Mortais, de 2004, e O Albergue, de 2005.Uma das razões que explicam o grande potencial do gênero é o baixo custo de produção dos filmes, sem estrelas nem grandes efeitos especiais, mas capazes de levar várias pessoas aos cinemas.Para o sucesso absoluto, são necessárias apenas quantidades monumentais de sangue, vísceras e uma montagem impactante capaz de fazer pular da poltrona os adolescentes, público que, majoritariamente, lota as salas de exibição.À espera dos resultados do relatório, inúmeras celebridades rebatem as críticas mais conservadoras. Hilary Swank, duas vezes ganhadora do Oscar de melhor atriz e protagonista de A Colheita do Mal, se preocupou em deixar claro que seu filme não é de terror, mas, sim, um "thriller sobrenatural".Já a equipe de Grindhouse se distancia da brutalidade realista de outros filmes descrevendo sua violência como "surreal", "grotesca" e dirigida a um público que a entenderá "em uma única sacada".No entanto, os produtores do novo longa não especificaram o motivo da presença em Grindhouse de trailers de filmes ainda inéditos, rodados por Eli Roth e Rob Zombie, autores de O Albergue e de Halloween, respectivamente.

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