Clemens Bilan/EFE/EPA
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Viola Davis revela que diretor já lhe confundiu com empregada

'Eu o conhecia há 10 anos e ele me chamou de Louise. Essas microagressões acontecem o tempo todo', disse atriz sobre episódio de preconceito

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2022 | 13h01

Viola Davis fez algumas reflexões sobre o racismo na indústria do cinema em uma entrevista organizada pela revista Variety em Cannes, na sexta-feira, 20. Em um dos relatos, ela relembrou um episódio de preconceito por parte do diretor de uma produção na qual trabalhava, ao qual não citou o nome. 

"Ele disse: 'Louise!'. Eu o conheci por 10 anos e ele me chamou de Louise. Descobri que era pelo fato de o nome de sua empregada ser Louise. Eu tinha por volta de 30 anos àquela época, então já faz algum tempo, mas o que você tem que perceber é que essas microagressões acontecem o tempo todo", afirmou.

A atriz também abordou a escassez de papéis importantes para artistas negras: "Sei que quando deixei How To Get Away With Murder [série da qual foi protagonista] eu não vi muitas mulheres de pele negra em papéis principais na TV, e nem mesmo em serviços de streaming". 

Viola Davis usou o filme Comer, Rezar, Amar, em que atuou como coadjuvante, como exemplo. Para ela, caso a personagem de Julia Roberts fosse negra, não seria interessante para a indústria: "as pessoas não conseguem conciliar a negritude com o despertar espiritual e a sexualidade. É muita coisa para elas". 

"Se eu quisesse interpretar uma mãe de família que vive numa vizinhança pobre e que meu filho fosse um membro de gangue que morreu por um tiro, eu poderia. Se eu interpretasse uma mulher que está querendo se repaginar voando para Nice e dormindo com cinco homens aos 56 anos - parecendo comigo, eu teria dificuldades para fazê-lo, mesmo como Viola Davis", disse. 

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