Mike Blake/Reuters
Mike Blake/Reuters

Viola Davis e outras celebridades falam da sua relação dolorosa com a alopecia

Artistas começaram a falar recentemente sobre a alopecia, doença autoimune que afeta cerca de 147 milhões de pessoas no mundo

Paula Ramon, AFP

29 de março de 2022 | 08h15

"Doloroso", "deprimente" e "embaraçoso" foram alguns adjetivos que atrizes de Hollywood, como Jada Pinkett Smith, e outras personalidades usaram ao tornarem pública sua luta contra a perda de cabelo.

Jada falou pela primeira vez em 2018 sobre o diagnóstico de alopecia, que, no seu caso, é autoimune: "Foi um desses momentos da minha vida em que eu estava tremendo de medo", contou.

O tema se tornou um tópico global na noite deste domingo, após uma piada feita pelo comediante Chris Rock durante a cerimônia do Oscar, que acabou em uma agressão do ator Will Smith.

"Vamos falar sobre como é viver com alopecia", tuitou a deputada democrata Ayanna Pressley, que tornou público seu diagnóstico em 2020. "Os momentos profundamente vulneráveis e difíceis que nossas famílias veem", acrescentou Ayanna, que se apressou a cumprimentar Smith no Twitter, apagando a mensagem posteriormente.

Várias atrizes falaram nos últimos anos sobre o impacto da perda de cabelo por estresse, no pós-parto ou por causa da covid-19, em um contexto de questionamento das pressões a que as mulheres são submetidas para se encaixarem nos padrões de beleza.

“Lutei contra a perda de cabelo durante toda a minha vida adulta”, publicou no Instagram em 2020 a atriz Ricki Lake. "Tem sido embaraçoso, doloroso, deprimente, solitário. Houve momentos em que cheguei a ter impulsos suicidas", acrescentou, em uma publicação na qual explicou como as gestações, o estresse, tratamentos capilares e alimentação a deixaram sem cabelo.

"Não é algo glamouroso, mas é real. Por que as atrizes nunca falam sobre isso?", questionou a atriz Selma Blair em entrevista de 2011 à revista People, após dar à luz.

A vencedora do Oscar Viola Davis confessou ter lidado com a alopecia durante boa parte de sua vida, e que tentava esconder a doença com perucas. "Eu tinha uma peruca que usava em casa, outra que usava em eventos e outra para treinar. Nunca mostrava meu cabelo natural. Queria, desesperadamente, que as pessoas achassem que eu era bonita", disse em entrevista.

Viola, que tem sido mais aberta sobre o assunto na última década, chegou a incluir na série How to Get Away with Murder uma cena em que sua personagem, uma advogada e professora de personalidade forte, tira a peruca, expondo o cabelo curtíssimo.

A atriz Alyssa Milano também já falou sobre a queda de cabelo, mas em decorrência da covid. "É difícil, principalmente quando você é uma atriz e muito da sua identidade está ligada a coisas como ter um cabelo longo e sedoso e uma pele boa", comentou, em entrevista nas redes sociais.

"A alopecia não é uma piada", criticou em comunicado a Fundação Nacional de Alopecia Areata (NAAF). "É uma doença autoimune, que causa perda de cabelo na cabeça, no rosto e, às vezes, em outras áreas do corpo", explicou a NAAF, acrescentando que a condição afeta cerca de 7 milhões de pessoas nos Estados Unidos e 147 milhões em todo o mundo.

"Pode ter um impacto emocional, psicossocial e mental significativo. Muita gente lida com dor, e o melhor que podemos fazer é apoiá-las e lutar contra o estigma e a discriminação que persistem", comentou Nicole Friedland, presidente da NAAF.

Enquanto Jada Pinkett Smith comentou nas redes sociais a forma como aceita a perda de cabelo, adotando um visual completamente raspado, Chris Rock abordou no passado a relação entre as mulheres negras e seus cabelos, no documentário Good Hair, que coescreveu e narrou. 

Lançado em 2009, no festival de Sundance, Rock disse que sua inspiração foi ouvir uma de suas filhas perguntar por que ela não tinha "um cabelo bom".

A obra causou polêmica: uma documentarista processou o comediante, alegando plágio. 

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