'Vingadores' e 'Praça Paris' estão entre as estreias da semana

'Vingadores' e 'Praça Paris' estão entre as estreias da semana

‘Guerra Infinita’ e a falta de esperança

O Estado de S.Paulo

26 Abril 2018 | 06h00

Luiz Carlos Merten 

Depois do empoderamento da Mulher-Maravilha no ano passado, Pantera Negra prosseguiu estabelecendo novos patamares para o faturamento dos filmes de super-heróis. Assim como as mulheres, os negros esperavam um herói para chamar de seu. Hollywood só tem a celebrar. A Marvel que o diga. Vingadores – Guerra Infinita, que toma de assalto mais de 1.800 salas do Brasil, retorna a Wakanda para a batalha decisiva contra Thanos no novo longa dos irmãos Anthony e Joe Russo.

Se havia um desafio em Guerra Infinita era justamente essa disposição da Marvel de celebrar os dez anos de seu estúdio agregando diferentes histórias com o objetivo de atingir os sentimentos do público. Em Capitão América – Guerra Civil, os Russos já haviam filmado as fissuras entre o Homem de Ferro e o Capitão América, e cada um deles soma uma parte dos heróis. Guerra Infinita começa com o mundo ameaçado por Thanos. Ele está reunindo as joias do universo, o que faz com que seu poder aumente. Nesse quadro em que o Homem de Ferro e o Capitão não se comunicam mais – e em que Bruce Banner parece não contar mais com a força de seu alter ego Hulk –, todo esforço é para reconstruir a união do grupo.

Thanos é um destruidor de mundos. Sua solução para a crise – excesso de gente, escassez de alimentos – é promover o extermínio das populações. Para atingir seu objetivo, Thanos é capaz de tudo – até eliminar a única coisa que ama. O tema dessa primeira parte da guerra infinita é a ameaça não só ao grupo, mas ao amor. Tudo vai sendo reduzido a pó, pulverizado. Se existe esperança, ela não se desenha nessa aventura sem fim. O curioso é que, de alguma forma, o filme metaforiza o estado do mundo. Em toda parte há um racha tão grande que cada grupo prefere apostar na destruição. Tolerância zero. Mas vem aí – em 2019 – um novo Vingadores. O show, senão a humanidade, deve continuar.

Vingadores: Guerra Infinita/ Avengers: Infinity War (Estados Unidos/2017, 156 min.)Dir. de Joe Russo, Anthony Russo. Com Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Chris Evans

 

'Guarnieri', retrato de um artista de muitas faces

Luiz Zanin Oricchio

Poucos artistas tiveram vida tão rica e variada quanto Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006). É o que mostra o documentário que leva seu nome – ou melhor, sobrenome – e foi dirigido por seu neto, Francisco Guarnieri. 

O filme acompanha a fase épica do Teatro de Arena, onde, em parceria com Augusto Boal, dirigiu peças como Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes, que tiveram grande influência cultural e política no Brasil da época, já oprimido na primeira fase da ditadura militar. 

Guarnieri é também protagonista de O Grande Momento (1958), de Roberto Santos, filme fundamental na renovação do cinema brasileiro autoral daqueles anos, bastante influenciado pelo neorrealismo italiano. Peças, filmes, participação política e muita TV tornaram Guarnieri figura conhecidíssima e influente ao longo de várias fases da cultura e da história brasileiras. 

O filme se vale da riqueza de material de arquivo disponível e o edita de maneira a fornecer um perfil amoroso e lúcido do personagem. 

Guarnieri. (Brasil, 2017.)Dir. de Francisco Guarnieri, com Gianfrancesco Guarnieri, Paulo Guarnieri, Flávio Guarnieri


Em 'Pagliacci', um tributo ao circo e a Montagner

Luiz Zanin Oricchio

O filme repassa a comemoração dos 20 anos da companhia LaMínima com a montagem do espetáculo Pagliacci. A trajetória do grupo é relembrada por seus fundadores, entre eles, o palhaço Fernando Sampaio. Da contraluz, emerge a figura forte de outro dos pioneiros, que fazia dupla com Fernando, Domingos Montagner, morto por afogamento durante as gravações da novela Velho Chico, em 2016. 

Pagliacci exalta a beleza do circo sem recair no sentimentalismo de muitos projetos do gênero. Filmagens contemporâneas somam-se a material de arquivo, em que a figura de Montagner se destaca, em cenas fantásticas com Fernando. 

Domingos, Duma para os amigos, nunca renegou sua origem no circo. Muito pelo contrário, orgulhava-se dela. É descrito por seus colegas como perfeccionista obsessivo, um detalhista implacável. Tudo, mesmo o que já estava bom, merecia ser ainda aperfeiçoado. Sua presença em cena e nas palavras em que é evocado conferem a Pagliacci uma emoção toda particular. / L.Z.O.

Pagliacci. (Brasil, 2016.)Dir. de Chico Gomes e Júlio Hey, com Domingos Montagner, Fernando Sampaio. 


‘Praça Paris’, divergências e fortes emoções

Luiz Carlos Merten 

Em outubro do ano passado, Praça Paris venceu os prêmios de melhor atriz (Grace Passô) e diretora (Lúcia Murat) no Festival do Rio. A diretora é respeitada – memória da ditadura, tensões sociais são temas frequentes de seu cinema. Meio ano depois, o que talvez fosse premonitório ficou ainda mais real com a intervenção no Rio.

Paranoia, racismo e empoderamento feminino são ingredientes da história criada pela diretora com o autor de romances policiais Raphael Montes. O filme tece a ligação entre duas mulheres. Glória/Grace vem da comunidade e trabalha como ascensorista em universidade pública. Camila (a atriz portuguesa Joana de Verona) é psicanalista e integra programa comunitário da instituição.

Na apresentação do filme, no ano passado, Lúcia já dizia que o medo do outro é uma coisa tão perversa que pode transformar até pessoas bem-intencionadas em monstros. Glória é irmã de um perigoso bandido que está preso. Da cadeia, ele monitora a vida dela. Emocionalmente em frangalhos, Glória frequenta o consultório de Camila. A interação das duas expõe divergências. Emoções fortes.

Praça Paris (Brasil, Port., Arg./2016, 112 min.)Dir. de Lucia Murat. Com Joana de Verona, Grace Passô



‘A Cidade do Futuro’ e a nova vida amorosa

Luiz Zanin Oricchio

Segundo longa de Claudio Marques e Mariana Hughes, A Cidade do Futuro se define como uma ficção baseada em fatos. Uma nova configuração familiar – dois rapazes e uma moça – se forma num ambiente sertanejo pouco propício a inovações, marcado pelo preconceito e pelo machismo. Ousado e necessário. 

A Cidade do Futuro (Brasil/2016.)Dir. de Cláudio Marques e Marília Hughes, com Milla Suzarte, Gilmar Araújo


Rogério Duarte, o nome da Tropicália 

Luiz Zanin Oricchio

Quem pensa em Tropicalismo tem logo na mente os nomes de Gilberto Gil e Caetano Veloso. Em Rogério Duarte, o Tropikaoslista, de José Walter Lima, conhecemos melhor o designer, teórico, músico, pensador e autor de livros que, lúcido e culto, foi um dos mentores do movimento. 

Rogério Duarte – O Tropikaoslista (Brasil/2016.)Dir. de José Walter Lima, com Rogério Duarte, Caetano Veloso, Gilberto Gil

 


Um romance em Liverpool em ‘Estrelas de Cinema Nunca Morrem’

Filme tem como cenário Liverpool, na década de 1970. A lendária vencedora do Oscar Gloria Grahame (Annette Bening) inicia um romance com o jovem ator Peter Turner (Jamie Bell, o talentoso garoto de Billy Elliot). A relação se torna séria, e essa paixão vai ser testada. 

Estrelas de Cinema Nunca Morrem (Reino Unido/2016.)Dir. de Paul McGuigan, com Annette Bening, Jamie Bell


Colin Firth testa seus limites em alto-mar em ‘Somente o Mar Sabe’

A aventura marítima do navegador amador Donald Crowhurst (Colin Firth), que quer vencer a Golden Globe Race de 1968, é marcada por problemas. Sua tentativa desastrada de integrar a competição acaba fazendo com que ele embarque em uma jornada perigosa e complexa, que testa todos os seus limites.

Somente o Mar Sabe (Reino Unido/2018, 102 min.)Dir. James Marsh. Com Colin Firth, Rachel Weisz, David Thewlis

 


Tudo Que Quero’, os desafios de uma garota

Autora de histórias de fantasia Wendy (Dakota Fanning) é uma jovem que, apesar do autismo, é independente e brilhante. Ela consegue escapar de sua cuidadora com o objetivo de entregar seu roteiro para concorrer em um competição de escrita. Essa decisão vai levá-la a uma aventura cheia de desafios e surpresas.

Tudo Que Quero (EUA/2016, 93 min.)Dir. Ben Lewin. Com Dakota Fanning, Toni Collette, Alice Eve


‘Ex-Pajé’, a cultura indígena em perigo

Luiz Carlos Merten

Vencedor do prêmio da crítica no recente É Tudo Verdade - e antes disso, de outro prêmio em Berlim –, o ótimo documentário de Luiz Bolognesi aborda a história do pajé Perpera, impedido de exercer seu ofício por brancos que encaram sua ligação com a floresta como demoníaca.

Ex-Pajé (Brasil/2016, 106 min.)Dir. Luiz Bolognesi. Com Perpera Suruí, Kabena Cinta Larga

 

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