Vilão de James Bond leva filme burlesco a Cannes

Vilão de James Bond leva filme burlesco a Cannes

Em sua estreia como diretor, Mathieu Amalric participa da competição no festival com 'On Tour'

JAMES MACKENZIE, REUTERS

13 de maio de 2010 | 13h17

Mathieu Amalric lidera uma trupe de veteranas dançarinas do teatro burlesco em um "road movie" que percorre o interior da França em "On Tour", seu trabalho de estreia como diretor, que está sendo exibido na competição principal do Festival de Cinema de Cannes.

Vilão de "007 - Quantum of Solace", Amalric representa um empresário mal-encarado que tenta manter o espetáculo na estrada enquanto o dinheiro vai acabando e sua companhia de showgirls irreverentes pergunta quando chegarão a Paris.

Inspirado em um livro de memórias da escritora francesa Colette, que foi atriz do teatro de revista no início do século passado, Amalric baseou o filme nas dançarinas que revivem o movimento, chamado "Novo Burlesco" e incluindo elementos de striptease, recriando números dos anos 1940 e 1950.

"Quando as conheci, tive a impressão que poderíamos criar uma ficção, desordem, desobediência, política, sem precisar transmitir uma mensagem", disse Amalric em coletiva de imprensa em Cannes.

A verve anárquica das moças ressalta a instabilidade do personagem de Amalric, Joachim Zand, que tenta manter a ilusão de controle enquanto as artistas o fazem recordar a todo momento que "não é o seu show".

As artistas, que são dançarinas na vida real, representam versões aproximadas delas mesmas, encontrando amantes ocasionais e apresentando vários números ao longo da viagem.

Como ator, Amalric é reconhecido por papéis tão diversos quanto o de um homem incapaz de se mover ou falar em "O Escafandro e a Borboleta", de Julian Schnabel", e de um universitário indeciso em "My sex life...or how I got into an argument", de Arnaud Desplechin.

Mas, como diretor, sentiu que tinha uma responsabilidade maior, obrigando-se a ir dormir cedo e evitando o ambiente desinibido reinante entre o elenco e a equipe técnica no set de filmagens.

"Eu tinha quase vergonha de ser tão sério - tive medo de me tomarem por padre", disse ele. "Mas alguém tem que manter a seriedade para que os outros possam se divertir."

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