Binho Samogim/Divulgação
Binho Samogim/Divulgação

Vida de Zequinha de Abreu vira filme

Dirigido pelo ator Carlo Mossy, documentário mistura cenas de ficção com depoimentos de familiares e especialistas

Rene Moreira , Especial para O Estado de S. Paulo

17 de março de 2014 | 03h00

A vida do autor da música Tico-Tico no Fubá é tema de um documentário que está sendo rodado em Santa Rita do Passa Quatro, cidade paulista onde nasceu o compositor Zequinha de Abreu (1880-1935). Sua canção, apresentada pela primeira vez em 1917, com outro título (Tico Tico no Farelo), num baile da cidade, foi rebatizada em 1931 com o nome atual e e ganhou destaque na voz de Carmem Miranda. Mas a vida de Zequinha não se resume a esta música, apesar da história interessante que marca sua origem, tema igualmente explorado pelo filme.

Dirigido por Carlos Mossy, o filme deve ser lançado em setembro, mês em que Zequinha estaria completando 134 anos. Tico-Tico no Fubá é considerada uma das canções brasileiras mais conhecidas e reproduzidas em todo o mundo, tendo sido, inclusiove, gravada pela orquestra de Ray Conniff. O filme alterna reconstituição da época – em que atores fazem os personagens principais–, com depoimentos de parentes e outras especialistas na vida e obra do artista.

Além do distrito de Santa Cruz da Estrela, no município de Santa Rita do Passa Quatro, o filme também será rodado no Rio. Quem faz o papel do músico é o ator Leonardo Arena. Ele vai reviver cenas como a criação de Tico-Tico no Fubá, que surgiu no momento em que Zequinha vigiava os passarinhos para que não comessem o fubá feito por sua mulher.

"Vamos exibi-lo em primeira mão no Festival Zequinha de Abreu, que será realizado em Santa Rita do Passa Quatro", conta o diretor Carlos Mossy, nascido em Tel-Aviv, em 1946. Segundo ele, o custo total do longa ainda está sendo levantado, mas os recursos são todos particulares. Ele diz ser muito complicado conseguir verba de leis de incentivo governamentais. "Isso é só para meia dúzia de produtoras, são sempre os mesmos", critica o também ator, roteirista e produtor.

Chanchada. A mulher de Zequinha, Durvalina, é interpretada pela atriz ítalo-brasileira Rossana Ghessa. Com 60 filmes na carreira, alguns com bons diretores – Palácio dos Anjos (1970), de Walter Hugo Khouri, entre eles – ela comemora o papel importante na história, uma vez que está sempre ao lado do protagonista em quase todas as cenas. A veterana atriz, que completou 71 anos, lamenta ter feito apenas dois filmes nos últimos 10 anos, contando com este. E ainda assim o anterior nem foi distribuído, ao contrário da história de Zequinha, que deve ir para a telona.

Ela culpa a atual situação do cinema por essa falta de oportunidade. Muito atuante nos anos 1970, principalmente nas pornochanchadas, ela acredita que essa política de captação de recursos prejudicou a indústria cinematográfica brasileira. "Agora, não fazem nem 80 filmes por ano e comemoram. Na nossa época eram 180 e tudo na base da bilheteria". Para ela, o cenário atual hoje é de muita politicagem e pouca produção.

Mesmo longe da telona, Rossana Ghessa não sumiu de cena e recentemente participou da montagem Mulheres, no Rio de Janeiro, baseada no obra de Nelson Rodrigues. Nascida na Itália e morando no Brasil desde os sete anos, ela também criticou a concorrência dos atores que, em razão da fama nas novelas da TV, acabam muitas vezes preferidos para atuar no cinema e no teatro. "Eles vivem de uma mídia passageira, pois depois as pessoas vão se lembrar apenas dos personagens que interpretaram".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.