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'Vício Inerente' faz uma viagem nebulosa à contracultura dos anos 1970

Filme de Paul Thomas Anderson com Joaquin Phoenix estreou neste fim de semana no Festival de Nova York

Patricia Reaney, Reuters

06 de outubro de 2014 | 12h12

NOVA YORK - Vício Inerente, a adaptação do diretor Paul Thomas Anderson do romance de Thomas Pynchon que estreou neste fim de semana no Festival de Cinema de Nova York, é uma nebulosa e carregada de drogas viagem para a Los Angeles dos anos 1970, com seus hippies, traficantes e um detetive persistente.

O filme, primeira versão para o cinema de um romance de Pynchon, é a seleção principal do festival, que vai até dia 12 de outubro.

Quando o romance, situado no final dos liberados anos 60 depois dos assassinatos de Charles Manson, foi publicado em 2009, ele foi descrito como "parte noir, parte brincadeira psicodélica".

O longa é povoado com chapados, policiais, traficantes e um informante do governo na Califórnia na contracultura, envolvidos em uma complicada trama sobre um bilionário desaparecido e sobre o detetive privado determinado a encontrá-lo.

Indicado ao Oscar, Anderson, 44 (O Mestre, Sangue Negro), também escreveu o roteiro, fiel ao thriller humorístico de Pynchon, que presta homenagem aos clássicos detetives particulares do cinema.

"É muito bem escrito, com coisas profundas e sentimentais misturadas com as melhores piadas e músicas toscas que você pode imaginar", disse o diretor em uma coletiva de imprensa.

Joaquin Phoenix, que trabalhou com Anderson em O Mestre, 2012, é o detetive particular de cabelos longos e chapado Larry Doc Sportello. Ele mantém costeletas de carneiro, veste sandálias, vive numa casa de praia à beira do Pacífico e é o gerente da Investigações LSD.

Quando uma ex-namorada, Shasta Fay Hepworth, interpretada por Katherine Waterston, retorna e pede por sua ajuda, Doc fica enredado numa busca pelo desaparecido bilionário Mickey Wolfmann (Eric Roberts), e um saxofonista ex-viciado em heroína que vira informante chamado Coy Harlingen (Owen Wilson).

A investigação joga Doc contra o duro Tenente Christian Bigfoot Bjornsen (Josh Brolin), que não tem tempo para hippies ou praias e mantém um impressionante corte de cabelo plano.

O elenco ainda inclui os vencedores do Oscar Reese Whiterspoon, como a namorada de Doc promotora de Justiça Penny Kimball e Benicio Del Toro, como o empolgante advogado que ajuda Doc.

A atriz Maya Rudolph, também esposa de Anderson, interpreta uma recepcionista no escritório de Doc e o comediante Martin Short faz um dentista viciado em cocaína e com grande apetite sexual.

O diretor captura a descontraída vibração e o sentimento dos anos 1970 com figurino e trilha da época, e usa firmes closes e uma narradora, Joanna Newson, que interpreta a amiga sabe tudo de Doc, Sortilege.

"Tinha tanta coisa boa que esse personagem dizia no livro que pareceu bom para a história, não seria uma coisa no caminho, irritante, ou algo que subtraísse do que estava acontecendo, e de alguma forma contribui", disse Anderson sobre a narração.

Uma resenha no jornal The Telegraph, de Londres, descreveu o filme como uma "eufórica bebedeira". "O que fica claro de um turvo encontro inicial é que o filme é estupendo", acrescentava.

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