"Vestido de Noiva" no difícil rumo do cinema

Depois de sete anos, dois dedicados a escrever o roteiro, Jofre Rodrigues conseguiu realizar o sonho de transformar em filme uma das maiores obras do teatro brasileiro, Vestido de Noiva, escrita pelo pai, Nelson Rodrigues, há seis décadas. É o primeiro filme dirigido por Jofre - "e último", diz ele, desgastado com o longo processo de captação de recursos, ainda não concluído. Parte do dinheiro, que ele não revela quanto é, foi emprestada pelo produtor americano William Kemper, "um trilhardário que às vezes brinca de fazer cinema". Com ele, Jofre já havia produzido, em 1995, O Monge e a Filha do Carrasco, de Walter Lima Jr. Quando leu o roteiro de Vestido, Kemper decidiu participar da empreitada. "Ele adorou. Dois dias depois o dinheiro estava na minha conta", diz Jofre.Quem também ficou encantada com o script foi Marília Pêra, que interpreta Madame Clessy. Jofre a procurou durante a temporada carioca de seu show em homenagem a Ary Barroso. Em seguida, Marília viajou com o espetáculo para a Europa, mas mandou recado direto de Londres: "Ela disse que faria Madame Clessy de qualquer maneira." Alaíde, a jovem que tem alucinações depois de ler o diário de Clessy, é vivida por Simone Spoladore. Letícia Sabatela é a irmã-rival Lúcia, que deseja o marido Pedro, personagem de Marcos Winter. Ele também encarna um cliente e um funcionário do bordel de Clessy. A escolha de Jofre por Vestido se deveu ao fato de o texto nunca ter sido filmado antes. "É a maior obra do teatro brasileiro e, como em teatro funciona maravilhosamente bem, as pessoas achavam que adaptar para o cinema seria impossível", explica. Ele já havia produzido montagens teatrais do próprio Vestido de Noiva e de Toda Nudez Será Castigada, além de quatro filmes baseados em obras do pai. Findas as gravações, realizadas todas no Rio - em locações no centro, em Santa Teresa, no Parque da Cidade e na praia do Arpoador -, Jofre continua captando recursos para terminar a fita, que ainda não tem data para estrear. A intenção inicial era lançar no dia 28 de dezembro, no Teatro Municipal do Rio, exatamente 60 anos depois da estréia da peça, naquele mesmo palco. Mas isso se as filmagens tivessem começado em agosto, e não em 30 de setembro, como ocorreu. Jofre garante que não voltará a se aventurar na direção, embora venha sofrendo pressões de Marília e Simone para filmar Senhora dos Afogados, também de Nelson Rodrigues.

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