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Versão digital tem até os poros de Will Smith

'É muito difícil reproduzir o rosto humano, era preciso usar toda a ciência disponível e ter uma performance incrível do ator”, explicou o supervisor de efeitos especiais Guy Williams

Mariane Morisawa, Especial para 'O Estado'

05 de outubro de 2019 | 14h00

Criar animais com o nível de fidelidade de O Rei Leão é um desafio e tanto. Imagine então criar digitalmente um rosto humano com todas as suas emoções? Foi isso o que fizeram os especialistas em efeitos visuais de Projeto Gemini. “É um ser humano completamente digital”, enfatizou Bill Westenhofer, supervisor de produção. “Não pegamos o Will Smith maquiado e demos um tapa no computador para rejuvenescê-lo”, completou. Havia muitas razões pelas quais isso não poderia ser feito no filme. Uma delas é que há cenas de luta entre o Will Smith velho e o Will Smith novo. “Fora isso, com 120 quadros por segundo, dá para ver toda a maquiagem. Era preciso ir mais fundo”, explicou. 

Para o supervisor de efeitos especiais Guy Williams, da WETA Digital, era um sonho trabalhar com Will Smith. “Mas também ficamos aterrorizados, porque ele envelheceu 2 semanas em 25 anos”, disse. “Queríamos captar todas as nuances de sua performance. E é muito difícil reproduzir o rosto humano, era preciso usar toda a ciência disponível e ter uma performance incrível do ator.”

A equipe coletou todas as fotos possíveis do Will Smith de 25 anos atrás, especialmente as mais espontâneas. O próprio ator também posou para centenas de fotos de todos os ângulos possíveis, com todas as expressões faciais possíveis e com todas as luzes e sombras possíveis. Um ator com a idade do personagem também foi fotografado para ajudar na reprodução da pele. 

No set, Will Smith contracenava com um ator, para que as cenas ficassem mais realistas e também para auxiliar os artistas da WETA a capturar corretamente as pausas no diálogo. Depois eles colocaram Will Smith para fazer uma captura de movimentos, para que os animadores pudessem trabalhar em cima de sua performance. “Foi muito difícil, porque qualquer coisinha fora, o formato do olho ou da boca, por exemplo, não significa que o trabalho parece errado. Simplesmente não parece mais o Will Smith.” Foi especialmente delicado quando os dois Wills lutam, com contato físico intenso, inclusive dos rostos lado a lado. 

Também foi necessário estudar não apenas como a emoção afeta as expressões, mas até a coloração da pele e dos olhos. E atenção especial foi dada aos poros e à oleosidade da pele, coisas fundamentais para oferecer a textura correta. O que é pior é que não necessariamente isso vai fazer com que o próximo filme a usar a mesma tecnologia seja fácil. “Porque, no fim, cada ser humano é único”, disse Guy Williams. 

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