Verão do Alasca enlouquece Al Pacino em "Insônia"

No Alasca só vivem dois tipos de pessoas: as que nasceram lá ou as que estão fugindo de alguma coisa. Insônia, que estréia nesta sexta-feira, se passa na remota cidade de Nightmute, em pleno verão do Alasca. É lá que o detetive Will Dormer (Al Pacino) vai conduzir uma investigação.Verão no Alasca é o seguinte: faz frio e não anoitece. Dormer já não anda muito bem da cabeça. Sofre os efeitos de uma investigação interna no seu departamento e as noites que vai passar em claro em nada contribuirão para o seu equilíbrio emocional.Ele investiga o assassinato de uma adolescente, que, se diz na cidade, traía o namoradinho com um amante mais velho. Nos arredores, mora também um escritor de novelas policiais, Walter Finch (Robin Williams), ídolo literário da moça assassinada.Insônia seria apenas mais um filme policial não fosse a maneira eficiente como o diretor Christopher Nolan (o mesmo de Amnésia) constrói o suspense. Há uma montagem interessante que contribui para criar o clima. Enquanto a história vai sendo narrada, alguns fotogramas "estranhos" entram na composição. Em frações de segundos, eles mostram o crime e também os motivos pelos quais Dormer está sendo investigado. Ficam mais na memória subliminar do espectador do que na sua percepção consciente.E há também o jogo melífluo entre Dormer e Finch - jogo de cúmplices e rivais que poderia cair no ridículo não fosse levado por dois profissionais da pesada. Al Pacino, em particular, está pungente como sempre, quando trabalha nesses papéis. Sua demolição facial, depois da tensão e das noites insones, não é apenas efeito de maquiagem - é obra de um grande ator.

Agencia Estado,

15 de agosto de 2002 | 17h52

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