"Vera Drake" ganha Leão de Ouro no Festival de Veneza

Vera Drake, do diretor britânico Mike Leigh, foi o grande vencedor do 61.º Festival de Cinema de Veneza. Além do cobiçado Leão de Ouro, a principal láurea do mais antigo festival do mundo, o filme leva para casa a Coppa Volpi para melhor interpreção feminina, com Imelda Staunton. Javier Barden ganhou a Coppa Volpi de melhor ator por seu trabalho em Mar Adentro, de Alejandro Amenabar, filme que também foi distinguido com o Leão de Prata (Prêmio Especial do Júri). O melhor diretor foi o chines Kim Ki-Duk pelo filme Binjip. O prêmio Marcelo Mastroianni, para atores promissores, foi dividido entre Marco Luisi e Tommaso Ramenghi, ambos do filme italiano Lavorare con Lentezza, de Guido Chiesa. Foram estes os prêmios principais e a surpresa foi o candidato italiano, Le Chiave di Casa (As Chaves de Casa), de Gianni Amelio, ter saido de mãos abanando, mesmo com o forte lobby da casa a seu favor. Mesma coisa para o alemão Wim Wenders, que com seu Land of Plenty (Terra da Abundancia), era dado como um dos favoritos até hoje de manhã. Os premios adicionais do festival são: melhor filme de diretor estreante "Luigi de Laurentiis" para Le Grand Voyage, de Ismael Ferroukhi, com menção especial para Saimir, de Francesco Munzi. O prêmio da seção Horizontes ficou para Le Petit Fils, de Ilan Duran Cohen, com menção para Vento di Terra, de Vincenzo Marra. A seção Cinema Digital premiou 20 Angosth, de Mania Akbari, com menção para La Vita è Breve ma la Giornata è Lunghissima, de Lucio Pellegrini e Gianni Zanasi. O melhor curta-metragem foi Signe d Appartenance, de Kamel Cherif, com menção especial para The Carpenter and His Clumsy Wife. A escolha de Vera Drake não surpreendeu seriamente a ninguém e seu anúncio foi bem recebido no mitologico Teatro La Fenice, onde aconteceu a cerimônia. O teatro, lembre-se, foi destruído por um incêndio e depois reconstruído. Pena que a cerimônia tenha sido confusa, com trapalhadas dignas do Oscar e inclusive troca de prêmios por parte da apresentadora Claudia Gerini. Mas o momento mais engraçado se deveu à fina ironia de Mike Leigh: "dedico este premio ao Festival de Cannes, que o recusou e assim pode me propiciar esta vitória aqui em Veneza", disse ele, satisfeito com seu Leão de Ouro nas mãos. Vera Drake, protagonizado pela atriz Imelda Staunton, ganhadora do prêmio de melhor atriz do festival, passa-se em Londres em 1950. Ela é uma dona de casa em aparência muito certinha que dedica-se, nas horas vagas, a ajudar moças em dificuldades, quer dizer, que tenham dado um mal passo na vida e tenham ficado grávidas e realiza abortos clandestinos. O estilo sóbrio de Mike Leigh, associado ao esplêndido elenco, valeu-lhe o favoritismo desde quando o filme foi apresentado no festival. Trata-se da consagração de uma dramaturgia discreta e consistente, que se sobrepõe a pirotecnia de outros filmes apresentados no festival. Mas Amenabar também sai vitorioso, acumulando os prêmios de melhor ator para o soberbo trabalho de Javier Bardem e também um Premio Especial do Juri para seu diretor. E caiu muito bem o prêmio de melhor direção para o talentoso Kim Ki-Duk, que foi incluído na última hora e encantou a todos com seu Binjip, historia de uma estranha figura que aproveita a ausência dos moradores para dormir em suas casas. Um cinema leve e ao mesmo tempo profundo.

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