Venezuelano filma febre do ouro na Amazônia

O filme Garimpeiros, uma co-produção hispano-venezuelana filmada no coração da Amazônia, estreou hoje em Caracas. Trata-se de uma crítica à exploração do homem pelo homem e à destruição do meio ambiente.Garimpeiros, dirigido pelo cineasta venezuelano José Ramón Novoa, destaca a necessidade de proteção da Amazônia, "o pulmão da América que está sendo destruído pelo mercúrio" usado indiscriminadamente nas explorações auríferas. Segundo ele, já por muito tempo a floresta é "utilizada e maltratada", por causa de seu solo de riqueza fácil.O filme foi rodado nos últimos três anos, no Estado de Bolívar, na Amazônia venezuelana. Segundo a produção, as gravações foram feitas em árduas condições técnicas e num ambiente degradado pela destruição da natureza pelas minas à céu aberto, em meio à exploração de crianças na extração de metais preciosos e à prostituição.Novoa analisa no filme as relações entre a ambição e o poder num pequeno povoado mineiro amazônico, chamado Papayal, onde tudo gira em torno do ouro. Tem como protagonista uma adolescente (a revelação Rocío Miranda), induzida à prostituição e inserida numa encruzilhada amorosa.O co-produtor, da espanhola Viriato Films, José Luis Segura, afirmou que se apaixonou pela história, baseada no romance da escritora Sonia Chocrón, Oro diablo, pois estaria comprometido "com um cinema em que se aborda a realidade da forma mais honesta possível". O projeto custou US$ 800.000, dos quais quase 300 mil foram investidos pela produtora espanhola.Novoa, que ganhou o Prêmio do Festival Internacional de Tóquio há cinco anos, com o filme Sicario, apresentará a nova produção em várias salas venezuelanas e logo a levará à Espanha e a outros países da América Latina, além de mostrá-la em festivais cinematográficos.

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