Veneza põe Woody Allen no centro das atenções

Avesso a cerimônias, Woody Allen nunca deu as caras no Festival de Veneza. Mas tem uma antiga afinidade com a cidade italiana. Foi lá que se casou com Soon-Yi Previn, em 1997. Foi lá também que rodou partes do musical Todos Dizem Eu Te Amo. Desde 1993, as pré-estréias de quase todos seus últimos filmes aconteceram em Veneza, exceção feita a Dirigindono Escuro, que passou em Cannes. E em 1995, recebeu da mostra italiana um prêmio pelo conjunto de sua carreira. É natural, portanto, que amanhã, quando estiver apresentando seu Anything Else na sessão inaugural do festival, o cineasta americano seja o centro das atenções.Além da afinidade, Allen e Veneza têm alguns pontos em comum. Ao longo dos anos, ambos oscilaram entre o cinema "de arte" e o de grande público. Os dois tentam aditivar seus negócios cercando-se de celebridades hollywoodianas - e vice-versa. E ambos têm tido mais respaldo crítico que sucesso de público. Mas, enquanto Allen se mostra quase satisfeito com sua produção de um filme por ano, de impacto modesto, Veneza dá sinais de que cansou de parecer apenas um evento menor que Cannes.Em seu segundo ano à frente do festival italiano, o suíço Moritz de Hadeln diz que a mostra tem de recuperar seu passado glorioso. Mas reclama que o governo não investe o suficiente no evento. De sua parte, tenta contribuir equilibrando os aguardados filmes de maior ambição artística e o glamour das celebridades. Entre as estrelas da vez, a cidade espera receber George Clooney e Catherine Zeta-Jones, que promove o novo filme dos irmãos Coen; Anthony Hopkins, estrelando uma adaptação de um romance de Philip Roth; Nicolas Cage com Matchstick Men, de Ridley Scott; Antonio Banderas com o novo filme de Robert Rodriguez. O festival vai até 6 de setembro.

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