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Vencedor de um Oscar, Rodrigo Teixeira fala com público no Anima Mundi

Brasileiro é dono do estúdio Pixomondo, responsável pelos efeitos especiais de 'A Invenção de Hugo Cabret'

Flavia Guerra - O Estado de S. Paulo,

27 Julho 2012 | 07h00

Rodrigo Teixeira não é um nome dos mais conhecidos entre os brasileiros, ainda que seja gaúcho de Bagé. Mas na última semana tem tido uma agenda de estrela. Na quarta-feira, 25, ele foi convidado do programa de Fátima Bernardes. Na semana passada, passou pelo Jornal da Globo, Programa do Jô, concedeu dezenas de entrevistas para TVs, jornais, sites, revistas, distribuiu autógrafos e falou para centenas de espectadores ávidos para ouvir sua trajetória de vida. Digno de uma estrela de Hollywood. Digno de Teixeira, que detém no currículo o Oscar de efeitos visuais por A Invenção de Hugo Cabret.

Quando Teixeira deixou o Brasil há 11 anos, não imaginava que demoraria tanto para voltar. Muito menos que voltaria com um Oscar e outro projeto na mão: o de abrir no Brasil um estúdio da Pixomondo, estúdio responsável pelos efeitos especiais de Hugo, em que trabalhou ao lado do amigo e parceiro Ben Grossmann.

Sabia menos ainda que seria uma das principais atrações do Anima Mundi, o maior festival de animação da América Latina, que traz nesta sexta-feira, 27, um Papo Animado com Teixeira (às 21h, no Memorial da América Latina), em que, além de contar sua trajetória, fala sobre bastidores dos filmes em que trabalhou e conversa com a plateia paulistana: "Mais que falar de mim, quero incentivar os jovens animadores que têm um sonho, comentou Teixeira ao Estado, semana passada, entre o intervalo de uma masterclass para profissionais e um papo com a plateia ‘comum’ que lotou o Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio. "Quero falar também da importância de se passar adiante a informação. Quando deixei o Brasil, os mais experientes detinham muito do que sabiam, Havia muito egoísmo. É importante incentivar os jovens. Sempre aposto no talento dos novatos."

Em São Paulo não haverá a master class, mas o papo promete ser animado. "Devemos iniciar os trabalhos da Pixomondo São Paulo em breve. Quero incluir o Brasil no mapa que começamos a traçar em Hugo Cabret, em que estúdios espalhados por vários países, entre EUA, China, Inglaterra, dividiram o trabalho que levou mais de um ano."

Para entender os planos, é preciso voltar a Ben Grossmann. Foi Ben, um dos contatos mais importantes, que Teixeira fez em Hollywood. "Quando o conheci, já tinha alguma experiência, mas ainda não possuía muitos contatos com a gente de cinema. Fizemos alguns trabalhos e ambos buscávamos novos trabalhos. Um belo dia, o Ben me liga e diz que tinha uma galera de cinema em Santa Mônica. Eu morava em Hollywood fizemos uma vaquinha para a gasolina e fomos em seu carro", relembra. "Em uma roda que o povo faz lá, um cara meio esquisito, de barba, me pediu para contar por que eu estava ali. Eu disse que assistira à Independence Day e que o filme havia mudado a minha vida. E o cara diz: Independence Day também mudou minha vida. Foi meu primeiro Oscar."

Assim Rodrigo Teixeira conheceu Volker Engel, supervisor de efeitos visuais do filme que, em 1996, o tinha motivado a se mudar para os Estados Unidos e tentar trabalhar na indústria de efeitos do cinema. "Vi Independence Day e pensei: É isso que quero fazer da minha vida! Quero passar para o outro lado da tela. E decidi imigrar para os EUA com apenas US$ 500 no bolso."

Demorou um pouco, mas Rodrigo passou para o outro lado. E graças à combinação de muita perseverança, ousadia, talento, sorte e trabalho duro, acabou traçando um caminho que o levou a produções como O Dia Depois de Amanhã (coordenada por Engel), Sin City, Alice no País das Maravilhas, Superman, o Espetacular Homem Aranha e tantos outros. O restante é melhor, e mais divertido, ouvir do próprio Teixeira.

 

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