Sony Pictures
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Veja quais filmes exibidos em Cannes podem ser fortes candidatos ao Oscar

No ano passado, festival francês debutou títulos que concorreram aos prêmios da academia

Kyle Buchanan, The New York Times

28 de maio de 2019 | 12h32

Embora a maioria dos dos filmes que concorrem ao Oscar não seja lançada antes do outono na América do Norte, o Festival de Cannes do ano passado debutou vários títulos que se tornaram fortes candidatos aos prêmios da academia, como BlacKkKlansman, de Spike Lee, e Guerra Fria, de Pawel Pawlikowski. Com o encerramento do Festival de Cannes no último fim de semana, em quais filmes devemos ficar de olho?

O maior concorrente às estatuetas do Oscar deve ser Era Uma Vez em...Hollywood, de Quentin Tarantino, que traz Leonardo DiCaprio e Brad Pitt no papel de figuras desbotadas do showbiz. Por sua recriação pontual da década de 1960 em Hollywood, o filme tem boa repercussão na cinematografia. 

A maior questão é como a Sony vai lidar com DiCaprio e Pitt, duas das maiores estrelas do setor, que dividem o tempo de tela. Como os estúdios raramente trabalham com duas lideranças na mesma categoria, e DiCaprio tem o maior arco emocional, a Sony pode tentar classificar Pitt como coadjuvante. 

Na categoria de atriz coadjuvante, Margot Robbie como Sharon Tate faz uma cena em que entra no cinema para assistir a si mesma na telona. Mas a personagem é mais uma presença simbólica do que um papel realmente desenvolvido no filme, e Robbie demora mais de uma hora para dizer sua primeira fala. 

Atores de outros filmes de Cannes que podem ser nomeados ao Oscar incluem Willem Dafoe, que faz um antigo marinheiro em The Lighthouse, e Taron Egerton, que faz uma interpretação espirituosa de Elton John em Rocketman. Egerton, no entanto, está ameaçado por Rami Malek, que interpretou Freddie Mercury no possível candidato Bohemian Rhapsody

Vale manter um olho em Antonio Banderas e sua interpretação sutil em Pain and Glory, de Pedro Almodóvar. Banderas nunca concorreu ao Oscar, mas encantou a imprensa com histórias emocionais sobre a sua longa carreira. 

Pain e Glory é um forte candidato ao oscar na categoria de filme internacional, se a Espanha o submetê-lo. O mesmo vale para o drama senegalês Atlantics, que teve direitos comprados pela Netflix. A diretora, Mati Diop, foi a primeira diretora negra a participar de Cannes, e levou o prêmio de segundo lugar. Outros filmes laureados foram o brasileiro Bacurau e o francês Portrait of a Lady on Fire, que também merecem consideração.

E o que dizer de A Hidden Life, de Terrence Malick, pelo qual a Fox Searchlight pagou o preço exorbitante de U$ 14 milhões? Malick não fez uma movimentação significativa no Oscar desde 2011, quando lançou The Tree of Life, e as reações ao seu último título foram divididas. Alguns acharam metafísico demais, enquanto outros pensam que Malick voltou aos trilhos com a história do fazendeiro austríaco que se recusa a lutar pelos nazistas.  O tamanho da compra do filme pela Fox indica que a empresa apostará nele, mas sem grandes estrelas nem um diretor disposto a fazer publicidade, pode A Hidden Life ir longe?

E, por último, há o vencedor da Palme de Ouro, Parasite, de Bong Joon-ho. Nenhum filme coreano foi selecionado pelo Oscar até hoje, mas Parasite é tão forte que poderia até mesmo ir além da categoria de filme internacional e concorrer aos prêmios de direção e roteiro, se a distribuidora Neon jogar suas cartas bem. Uma história necessária sobre luta de classes contada da forma mais sensacional possível, Parasite mostra o diretor Bong em seu melhor, e a academia deve se atentar a isso. 

 

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