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Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: dicas para quinta-feira, 20/10

Os críticos Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin Oricchio selecionam os destaques de hoje

O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2016 | 10h55

A China Está Próxima, de Marco Bellocchio

Contemporâneo de A Chinesa, de Jean-Luc Godard – ambos são de 1967 e enfocam a radicalização da esquerda no pré-Maio, o longa de Marco Bellocchio vê o temas de forma meio enviesada. Dois amantes fazem plsanos para se dar bem, por meio de casamentos ricos. Ela se envolve com professor universitário, que vira político. Contra os arrivismos, a China – a revolução, Mao – está próxima. Na retrospectiva de Bellocchio, homenageado da Mostra e autor do cartaz deste ano. Toda força à política. (Luiz Carlos Merten)

Um dos filmes de juventude (1967) do homenageado deste ano. Na história, um professor universitário tenta carreira política, auxiliado por um contador. (Luiz Zanin Oricchio)

Cinearte 1, 17h50

A Garota Desconhecida, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

Pode ser mera coincidência, mas será possível emendar, na mesma sala, o longa Hedi (leia abaixo), produzido pelos irmãos Dardenne, e o filme que eles próprios realizaram. Em Cannes, La Fille Inconnue foi recebido como uma decepção. A história de uma jovem médica confrontada com problemas humanos e sociais. A dura realidade dos imigrantes. Tudo é muito irmãos Dardenne, mas, de alguma forma, eles não renovam seu universo nem sua forma de narrar. Dão a impressão de se repetir. A atriz Adèle Haenel é ótima. (Luiz Carlos Merten)

Os irmãos belgas fazem grande cinema adotando tom realista e tom crítico em relação à sociedade capitalista. Neste, uma jovem médica decide não atender à campainha tarde da noite, recusa que terá consequências para sua vida. (Luiz Zanin Oricchio)

Cinesala, 22 h



Hedi, Mohammed Ben Attia

Os irmãos Dardenne coproduziram o longa do tunisiano Mohammed Ben Attia sobre homem que, às vésperas do casamento, se envolve com mulher libertária. E é por meio dela que vai buscar sua via. Até aqui, vive para satisfazer a expectativa da família, e da mãe. Prêmios de melhor filme de diretor estreante e ator (Majid Mastura), na Berlinale de 2016. (Luiz Carlos Merten)

Cinesala, 16 h

Decálogo, de Krzysztof Kieslowski

Os Dez Mandamentos ficcionalizados, para TV, pelo grande autor polonês que quis filmar a alma. São episódios de uma hora, mais ou menos, das 13 h às 23 h. Dois deles, foram estendidos e viraram filmes de cinema, Não Matarás e Não Amarás. São verdadeiras obras-primas. (Luiz Carlos Merten)

Um dos mestres do cinema do século 20, o polonês Kieslowski reinterpretou os mandamentos da fé cristã para a realidade dos nossos dias. (Luiz Zanin Oricchio)

Cinesesc, das 13 h às 23 h 



O Plano de Maggie, de Rebecca Miller

Prova que comédia romântica não precisa ser burra. A trintona Maggie (Greta Gerwig, de Frances Ha) decide ter um filho sozinha, mas muda de ideia ao conhecer um professor de antropologia (Ethan Hawke). (Luiz Zanin Oricchio)

Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca, 17h30

 


O Ignorante, Paul Vecchiali

Pai e filho, uma relação difícil. O filho vive numa espécie de abandono, o pai nunca desistiu de reencontrar a mulher que foi seu grande amor. Vecchiali é um caso à parte no cinema francês. Exigente, marginalizado, sempre trabalhando com poucos recursos, tornou-se cult. E aqui encontra o mito, Catherine Deneuve. Um encontro inusitado e cheio de expectativa. (Luiz Carlos Merten)

Cinemark Cidade de São Paulo, 21h30

 


Cinzas, Andrzej Wajda

Não confundir com Cinzas e Diamantes, do próprio Andrzej Wajda, de 1958. O grande autor polonês, o sr. Política, homenageado da Mostra – e ele morreu há duas semanas -, baseou-se no romance de Stefan Zermski (ou Zeromska), considerado a consciência da literatura polonesa, no começo do século passado. A guerra, e os soldados, sem heroísmo. O revisionismo histórico de Wajda não agradou às autoridades. Ele foi chamado de 'antipolonês', e como disse mais de uma vez a experiência está na raiz de muitos problemas que teve, depois, com o regime comunista. (Luiz Carlos Merten)

Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca, 19h20

Persona, Ingmar Bergman

Lançado no Brasil como Quando Duas Mulheres Pecam, este filme de 1966 é considerado decisivo na (r)evolução do autor. Bergman e a metalinguagem, embora seja reducionismo defini-lo assim. Duas mulheres numa casa de praia. Uma atriz que emudeceu e sua enfermeira, Liv Ullman e Bibi Andersson. Um jogo de máscaras - Persona, o título original, é a palavra latina com que os atores dissimulavam os rostos na antiguidade. Muitos quadros, cenas, sequências inteiras podem ser vistos como projeções mentais. Um filme tão perturbador como O Ano Passado em Marienbad, de Alain Resnais, cinco anos antes. (Luiz Carlos Merten)

Itaú Cultural, 19 h. Seguido de debate, às 20h30.

 

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