Courtesy of 20th Century Fox
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Veja as estreias de cinema deste final de semana

Steve McQueen em 'As Viúvas'; Ben Kingsley em 'Um Homem Comum' e Mark Wahlberg em 'De Repente Uma Família' estão entre os destaques da temporada

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2018 | 06h00

Steve McQueen adere ao empoderamento feminino

As Viúvas / Widows 

(Estados Unidos/2018, 128 min.) Dir. Steve McQueen. Com Viola Davis, Elizabeth Debicki,  

Michelle Rodriguez

Homônimo do astro, o diretor Steve McQueen não tem nada a ver com ele. McQueen protagonizou filmes como Bullitt, Crown o Magnífico, Papillon. Era branco, não necessariamente wasp, porque se tinha características físicas e culturais, pautava-se pelo progressismo. O McQueen diretor é afrodescendente, preocupado com o legado da escravidão e com temas como o sexo e o uso do corpo como ferramenta de protesto político.

Depois de Fome, Shame e 12 Anos de Escravidão – que venceu o Oscar de melhor filme –, McQueen adere ao empoderamento feminino. Com base no livro de Lynda La Plante, As Viúvas, ele conta a história de um grupo de mulheres que perdem os maridos num assalto malsucedido e que resolvem seguir adiante com os planos deles de roubar. São amadoras, mas são todas movidas pela necessidade e pelo instinto de sobrevivência. Acuadas, reagem.

A líder do grupo, Viola Davis, era mulher de Liam Neeson. Arregimenta as demais. Michelle Rodriguez perdeu seu negócio, Elizabeth Debicki sofria abuso e agora se prostitui, etc. E tudo se passa, o novo plano, no quadro de uma acirrada disputa política, envolvendo descendentes de irlandeses e negros num distrito norte-americano. Daniel Kaluuya vai à forra. Depois de sofrer o diabo no terror de Corra!, ele agora vira um assassino sádico. Vai ser ruim assim no inferno.

Ex-atriz, a escritora e roteirista Lynda La Plante ficou conhecida por escrever a série de crimes televisivos Prime Suspect. As Viúvas é suspense. O relato é cheio de reviravoltas, de forma a construir a curva dessas mulheres que se superam, indo ao limite. O público poderá achar que se trata só de mais um thriller feminista na vertente de Oito Mulheres e Um Segredo, de Steven Soderbergh, que chegou antes. Aquele era mais fantasioso, divertido. Esse aqui é mais carregado. É Steve McQueen, com sua herança de dor e violência. Viola acrescenta mais uma grande personagem ao seu currículo. E, no final – olha o spoiler –, cuidado que vem bala!


Clichês de gêneros derrubam o drama

Um Homem Comum

(Sérvia, Estados Unidos/2018,  

90 min.) Dir. Brad Silberling.  

Com Ben Kingsley, Hera Hilmar, Peter Serafinowicz

Na contracorrente do empoderamento das mulheres em As Viúvas, Um Homem Comum oferece a Ben Kingsley um personagem cheio de contradições. Terrorista, ele espalha bombas por Sri Lanka. É astuto, dissimulado, violento. O retrato perfeito do predador. Mas necessita de uma doméstica e entra em cena ‘a garota’. Ela representa um feminino ‘frágil’, sob medida para o exercício autoritário do ‘general’. Preso a estereótipos que não se atreve a subverter, o filme ainda se ressente do gosto mórbido do diretor Silberling, que não tem por hábito acertar – Gasparzinho, o Fantasminha Camarada e Cidade dos Anjos.

Terror trash ataca a loira do banheiro

Os exterminadores do além contra a loira do banheiro 

(Brasil/2018, 100 min.) Dir. Fabrício Bittar. Com Danilo Gentili, Léo Lins, Murilo Couto

Três youtubers que se dizem especialistas em seres do além não conseguem fazer seu blog estourar. Em desespero, sequestram a loira do banheiro. Com Danilo Gentili e Dani Calabresa à frente do elenco, o longa possui um trailer marcado pelo nonsense. Parece o somatório do terror gore e slasher. Gosma, sangue, cabeças decapitadas, máscaras variadas, tem de tudo que é trash, até aquela coisa esquisita saindo da privada. O que é, o que é? A galera do SBT – Ratinho, astros mirins da casa – dá o ar da graça. O trailer induz a gente a acreditar que se divertem mais que nós, o público.


Adoção nos EUA, por um viés divertido

De Repente uma Família 

(EUA/2018, 117 min.) Dir. Sean Anders. Com Mark Wahlberg, Rose Byrne

Entre um filme de ação e outro, daqueles em que ele bate e arrebenta, Mark Wahlberg agora deu de fazer comédias familiares – quer dizer, mais ou menos. Ted, o ursinho, era bem safadinho em questões de sexo. No novo filme, ele está casado com Rose Byrne e resolve adotar uma pré-adolescente. Só que ela tem dois irmãos menores que a acompanham. A casa vira o maior pandemônio, com direito a algumas risadas, mas não espere grande coisa. A cena em que a toalha da mesa pega fogo e a ‘família’ usa o ketchup como extintor é, de qualquer maneira, hilária. E o diretor Anders baseou-se na própria experiência como pai de adoção.

Cadáver possuído é garantia de sustos

Cadáver 

(EUA/2017, 85 min.) Dir. Diederik Van Rooijen. Com Stana Katic, Shay Mitchell, Grey Damon

Começa com um exorcismo chocante e prossegue no necrotério em que uma policial presta serviço comunitário. Ela abusava da bebida, cometeu infrações à lei e agora paga pelo tratamento. Chega um cadáver desfigurado. O que tem a ver com a cena do início? Seja como for, prepare-se porque o tal cadáver está possuído e vai aprontar. Com Shay Mitchell, de Pretty Little Liars, o filme também tem participação de Stana Katic, de Castle. E foi escrito pelo mesmo Brian Sieve de Pesadelo 2. Pensando bem, não deixa de ser uma espécie de Pesadelo 3, com cenas que vão fazer o público pular na poltrona do cinema. Socorro!



Comportamento humano, e dos animais. Para rir

A Excêntrica Família de Gaspard / Gaspard va au mariage

(França e Bélgica/2018, 103 min.) Dir. Antony Cordier. Com Félix Moati, Laetitia Dosch

No Brasil, ficou sendo A Excêntrica Família de Gaspard. No original, é Gaspard Va au Mariage, Gaspard Vai ao Casamento. De cara, Gaspard faz uma proposta à mulher que ele acaba de conhecer – se ela concordar em acompanhá-lo num casamento em família, ele lhe pagará pelo esforço. Gaspard não visita a família há tempos e fica claro que vai por obrigação, não por prazer.

No Festival do Rio, onde veio mostrar seu filme, o diretor Antony Cordier contou que a origem de seu filme foi a existência dessa família, que possui um pequeno zoológico em sua casa. “Queria fazer um filme divertido sobre uma família disfuncional e achei que talvez fosse interessante comparar o comportamento humano ao animal, para provocar risadas.”

É o que ele faz, e com competência. Sucesso de público na França, A Excêntrica Família é bem realizado e tem até cenas ótimas. Na melhor, o protagonista, Félix Moati, dança com os irmãos. É um momento de liberação para todos, e tão leve, que o espectador tem vontade de dançar junto.

Robin Hood e os temas do herói e do vilão

Robin Hood – A Origem 

(EUA/2018, 104 min.) Dir. Otto Bathurst. Com Taron Egerton, Jamie Foxx, Jamie Dornan

Recebida a pedradas nos EUA, a nova versão de Robin Hood mostra a criação das lendas do herói e do vilão. É narrada de forma eletrizante, com cenas ótimas de ação, e ainda apresenta um mouro, Jamie Foxx, como o paradigma ético num mundo cristão corrompido. Raro, não?


‘Utoya’, a história real de um massacre

Utoya – 22 de Julho

(Noruega/2018, 98 min.) Dir. Erik Poppe. Com Andrea Berntzen, Aleksander Holmentoya conta a história real de uma matança de adolescentes em 2011. Um grupo de jovens vai acampar na ilha e é surpreendido por disparos. Cria-se o pânico e desenvolvem-se estratégias de sobrevivência. O diferencial consiste em adotar sempre o ponto de vista das vítimas e nunca o do atacante. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

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