Vampiros invadem às telas em 2001

Deve ser a virada do milênio. Ou algum fenômeno ligado à era de Aquário. A verdade é que os vampiros estão saindo de suas tumbas e exercendo com toda a plenitude seu direito de ressuscitar. Ao menos, nas telas dos cinemas, pode-se esperar uma revoada de morcegões, que já está começando, acrescentando mais títulos às centenas de filmes que trataram desses personagens tão assustadores quanto queridos dos fãs de terror. 2001 verá vários mortos-vivos caminhando pelas salas escuras loucos para cravar os dentes nas bilheterias, com Drácula, o conde Orlock, o vampiro Lestat, a rainha Akasha e outros menos votados. Ainda cai sobre a memória de espectadores e cineastas a sombra de Drácula de Bram Stoker, o filme de Francis Ford Coppola, que em 1992 ganhou três Oscars com cenas antológicas e um elenco de astros como Gary Oldman, Anthony Hopkins e Winona Ryder. Wes Craven, um dos especialistas em transformar sustos em dólares, produziu Dracula 2000, que saiu à frente e estreou sexta passada, nos EUA; não é uma produção das mais ricas e a história mostra como ladrões roubam o caixão cromado de vocês sabem quem, com as conseqüências previsíveis, em Londres. A história acaba em New Orleans, em pleno Mardi Gras. Isso, porque tudo começa com um antiquário na Inglaterra cuja filha está nos EUA e cai nas mãos do conde, interpretado por Gerard Butler, o menos anônimo do elenco.Shadow of the Vampire é o último filme de vampiro do milênio e tem uma história interessante. Responde, de modo aterrorizante, à pergunta: e se o ator Max Schreck, astro do clássico mudo do gênero Nosferatu, de F.W.Murnau, feito em 1922, fosse realmente um vampiro? Willem Dafoe faz Schreck como um ator atual louco de pedra e John Malkovich é o autoritário cineasta. Cary Elwes também está no elenco dirigido por E.Elias Merhige.Steven Katz, o roteirista de Shadow of the Vampire, diz que seu filme tem, além do interesse de ser um filme de vampiro, uma análise sobre o fato de se colocar artistas num pedestal, sem se atentar para que tipo de ser humano que são. E, citando Ezra Pound, T.S.Eliot e Erich von Stroheim, nenhum famoso por suas qualidades como pessoas, pergunta-se até que ponto vale a pena fazer, por exemplo, um bom filme? ?É algo que pergunto sempre que me sento para começar um novo roteiro?, diz. Em The Forsaken, que tem estréia prevista para abril, a trama é baseada em parte numa história real sobre adolescentes da Flórida que acreditavam ser vampiros. Pelas estradas do Arizona, há um caroneiro chamado Nick (Brendan Fehr, do seriado do canal Warner, Roswell), que busca um predador de 400 anos. Todos se encontram e haja estacas. Nick é um sujeito comum que, por puro acaso, é mordido por um vampiro. Ele fica entre os dois mundos e procura quem o atacou para conseguir salvar-se de um destino que não deseja. A Rainha dos Condenados é a esperada continuação de Entrevista com o Vampiro, o bem-sucedido filme de 1994, com Tom Cruise, Brad Pitt e Antonio Banderas, baseado no romance de Anne Rice. O protagonista do primeiro filme, o vampiro Lestat, volta à vida como um astro do rock; a cantora Aaliyah faz a rainha Akasha, um demônio feminino egípcio petrificado que ganha uma nova chance ao ser acordada pela música gótica dos vampiros. Akasha se junta a Lestat em busca de vingança. A estréia mundial está marcada para outubro de 2001.Outra continuação é Vampires: Los Muertos, segunda parte de Vampiros de John Carpenter. O diretor agora é Tommy Lee Wallace (ele também escreveu o roteiro), enquanto Carpenter ficou com a produção. O astro do filme que começa a ser rodado em janeiro é o cantor Jon Bon Jovi. Ainda no domínio das continuações, uma que promete é Blade 2 em que Wesley Snipes faz o mesmo caçador de vampiros do primeiro e Kris Kristofferson é o líder dos mortos-vivos. Só que agora eles estão do mesmo lado, pois surgiu uma ameaça tanto a humanos quanto a vampiros ? um bando de mutantes que caça ambas as espécies. Blade e sua turma, que inclui um bando de vampiros mortíferos tentam pôr as coisas nos eixos, sob a direção de Guillermo del Toro. Os filmes de vampiros da geração 2001 estão investindo na dualidade violência-sexo, uma espécie de efeito Buffy, resultado do sucesso que o seriado de TV Buffy, a Caça-Vampiros, conseguiu, mostrando gente bonita e jovem (de ambos os sexos) no quadro de uma história de vampiros. Dracula 2000 aposta nisso, usando modelos-atores (como Butler, que é um Drácula sexy) e, quando se trata das concubinas de Drácula, elas não ficam presas na masmorra do castelo, mas são extremamente ativas, seduzindo primeiro e aterrorizando depois.Queen of the Damned também segue o estilo Buffy e acrescenta a isso o rock do grupo Korn. Como já acontecera em Entrevista com o Vampiro, em que o explícito e o implícito sexuais estavam em quase todas as cenas. Afinal, o público ama esse mito do sujeito solitário e charmoso que é, ainda por cima, letal e imortal. Ou, como resumiu Wes Craven, que é ?o James Bond do Mal?. Assim, preparem seus pescocinhos, pois os caninos sedentos de sangue estão de volta.

Agencia Estado,

28 de dezembro de 2000 | 21h33

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