Urso de Ouro é vitória para diretores brasileiros, diz Padilha

Diretor de 'Tropa de Elite' está 'absolutamente' feliz com o prêmio; produtor chama filme de 'corajoso'

Efe,

08 Fevereiro 2016 | 19h58

O diretor José Padilha afirmou neste sábado, 16, que o Urso de Ouro do Festival de Berlim concedido a Tropa de Elite é uma "vitória" para todos os diretores "comprometidos" do país. Ele afirmou que "não podia estar mais feliz" pelo sucesso de público e de crítica alcançado pelo filme.   Veja Também:   'Tropa de Elite' leva o Urso de Ouro no Festival de Berlim Além de 'Tropa', mais três brasileiros levam prêmios em Berlim Opine: Você acha que 'Tropa de Elite' mereceu ganhar? Confira os vencedores do 58º Festival de Berlim  José Padilha fala à TV Estadão sobre ‘Tropa de Elite'  Trailer do filme Tropa de Elite 'Tropa de Elite', um fenômeno do cinema nacional 'Tropa de Elite' bomba na internet até depois de lançado Produtora estrangeira quer Tropa de Elite como minissérie   Na entrevista coletiva após a entrega dos prêmios, Padilha destacou que filmes como Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, criaram "uma nova escola de cinema" no Brasil, mas destacou que o cinema nacional não faz "apenas filmes sobre favelas ou sobre violência".   Padilha afirmou que está "absolutamente" feliz com o prêmio entregue a Tropa de Elite, que foi visto por milhões de brasileiros antes mesmo de chegar aos cinemas, devido à pirataria.   Ele se definiu como "diretor de filmes documentários", que fez agora seu primeiro longa-metragem de ficção. Mas acrescentou que mantém sua "visão de documentalista", por isso decidiu retratar "uma triste realidade", a da violência e da corrupção da Polícia Militar do Rio, que, "infelizmente, continua".   Ao receber o prêmio, o produtor Marcos Prado afirmou que Tropa de Elite é o filme "mais corajoso do planeta" e que, com ele, pretendem "mudar" a espiral de violência e corrupção da Polícia do Rio.   Padilha explicou à Agência Efe no dia 12 que as mais de 11 milhões de pessoas que assistiram a uma cópia pirata do longa antes da estréia oficial nos cinemas fizeram isso "por vingança contra a polícia".   "Existe um grande ressentimento no Brasil em relação à polícia, que extorque, tortura, aceita suborno e mata com impunidade", disse.   O cineasta se mostrou então surpreso com o fenômeno que o filme se tornou no Brasil e brincou, dizendo que "se você quer que alguém fique com muita vontade de ver alguma coisa, basta proibi-la".   Padilha se defendeu das pessoas que o acusam de justificar a brutalidade dos comandos especiais ao buscar a identificação do espectador com essas tropas e afirmou que sua corrupção "não é econômica, mas afeta os valores humanos mais elementares".   Ele destacou que a novidade do filme não está somente na retratação dos policiais, mas sim na "demonstração de que não é uma guerra exclusiva" entre agentes e traficantes de drogas.   "Mostra também parte da culpa das classes média e alta, que consomem maconha e cocaína, financiando assim a guerra, mas que contam com dinheiro suficiente para subornar quem quer que seja para não serem presos", afirmou.

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