United 93 vai relembrar angústia do 11 de setembro

O filme United 93, primeira produção de Hollywood sobre os atentados terroristas de 11 de setembro e que estréia nos cinemas dos Estados Unidos nesta sexta-feira, contém um conteúdo emocional que, segundo a crítica, surpreenderá os norte-americanos.O filme, dirigido de forma quase documentarista pelo britânico Paul Greengrass, termina com uma tela preta e um silêncio profundo, que parece durar uma eternidade. Esse triste fim funciona quase como um descanso emocional a uma trama que acompanha, minuto a minuto, o último vôo dos quatro aviões seqüestrados que fizeram parte do atentado terrorista vivido nos Estados Unidos.Como descrito no título, United 93 mostra justamente o que aconteceu com o quarto avião, único a não atingir o alvo dos terroristas e que caiu na Pensilvânia.A produção é uma viagem de 91 minutos, que alterna imagens dos centros de controle de diferentes aeroportos e dos escritórios das autoridades de aviação federal americana. Além disso, mostra a tensão dos comandantes militares para tentar solucionar uma crise gerada pelo seqüestro.A primeira versão cinematográfica dos atentados tenta se afastar do tom heróico, mas cada gesto tem um valor especial, que vai do fechamento da porta do avião para a decolagem até uma declaração de amor feita de um telefone emprestado.Greengrass reconstrói também os últimos minutos dos quatro terroristas e, sem diálogos nem explicações, mistura suas rezas e despedidas com as dos passageiros que estão a ponto de morrer.Todos os que já viram o filme - exibido na terça à noite no Festival de Cinema de Tribeca, em Nova York e em pré-estréia em algumas partes do país - não encontraram nada que não soubessem. A intenção foi reviver os tristes sentimentos daquele dia.O filme é fruto das entrevistas com muitas pessoas que viveram de forma mais próxima o dia dos atentados, incluindo os parentes dos passageiros e da tripulação que morreu, e que desde o primeiro momento deram o sinal verde ao projeto.A produção, dedicada a todas as vítimas, terá 10% de suas receitas de arrecadação entregues à fundação que lembra o desastre.A dedicação mostrada pelos envolvidos em colaborar com o filme foi tanta que seu elenco, longe de contar com estrelas, é formado praticamente por gente que viveu o incidente de alguma forma. Um exemplo é Ben Sliney, que repetiu em frente às câmeras suas decisões à frente do Centro de Aviação Federal - cargo do qual se aposentará nos próximos meses -, assim como outros muitos que trabalharam com ele.No avião, companheiros de trabalho como o piloto J.J.Johnson e a aeromoça Trish Gates, ambos de United Airlines, revivem membros da tripulação falecida como o comandante Jason Dahl e Sandy Bradshaw, respectivamente.As reações ao primeiro filme sobre o 11 de setembro também não se fizeram esperar. Após semanas de debates questionando se o público está preparado para reviver esta tragédia, todos apontam a que a resposta virá agora, nos cinemas."No futuro, United 93 entrará em nossa história de forma inimaginável. Mas, por enquanto, é só o ponto de partida", afirmou o crítico Brian Lowry, do The Hollywood Reporter.A publicação antecipa uma realidade, já que United 93 é a primeira de muitas versões de Hollywood sobre um evento que marcará para sempre a história moderna.O polêmico diretor Oliver Stone está finalizando sua versão dos fatos com World Trade Center, filme de ficção que também parte de um momento real - o resgate dos dois últimos bombeiros que sobreviveram à queda das Torres Gêmeas.

Agencia Estado,

28 de abril de 2006 | 12h26

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