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Uma obsessão pela forma como as pessoas buscam a verdade

Numa entrevista na época em que Incêndios foi indicado para o Oscar (2011), o diretor canadense Denis Villeneuve disse que havia feito o necessário para transpor a peça do libanês Wajdi Mouawad para outra mídia. Algum crítico vai dizer que Villeuneve carregou na carta do folhetinesco, mas é um diretor que não teme o excesso. Redemoinhos, de 2002, era contado por um peixe em vias de ser fatiado. Os dois filmes - mesmo que Incêndios não tenha recebido o prêmio da Academia - pavimentaram o caminho de Villeneuve para Hollywood. Este ano ele já mostrou o vigoroso Os Suspeitos, servido por excepcionais interpretações de Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2013 | 02h14

Villeneuve ama as histórias de família, principalmente quando, ou se, são bem complicadas. Os Suspeitos começa com o desaparecimento de uma garota. O pai, enlouquecido pelo que considera a inépcia da polícia, sequestra e tortura aquele a quem considera culpado - mas não é. Até onde as pessoas podem ir em busca da verdade, não se cansa de perguntar Villeneuve em seu cinema? Até onde conseguem ir?

Na abertura de Incêndios, o filme, um notário abre testamento e comunica ao casal de irmãos os últimos desejos da mãe deles. A dupla descobre, entre outras coisas, que tem um irmão e que o pai, considerado morto, está vivo. A mãe deixou instruções precisas para que recebam uma última carta, mas só depois de localizar os familiares. A busca os leva ao explosivo Oriente Médio. Há uma guerra, mas não é o tema. A filha encara a busca até para decifrar o mistério da própria identidade. O irmão quer desistir, talvez porque pressinta que a verdade será dura.

A verdade é sempre dura no cinema de Villeneuve e o que o autor enfatiza é que mais vale enfrentá-la do que fugir (e não se conhecer a si mesmo). Teatro é uma coisa, cinema é outra. O filme, mesmo que algumas pessoas considerem o desfecho inverossímil, é muito bom. Confira em DVD (da Imovision).

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