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Uma noite inteira para fãs de 'O Senhor dos Anéis', de Peter Jackson

Belas Artes exibirá cinco filmes da saga, nesta sexta-feira, 5, a partir das 22h30; haverá ainda concurso de cosplay e um café da manhã

Luiz Carlos Merten - Londres, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2014 | 11h47

Em Londres, na quarta-feira, diante de Peter Jackson, o repórter disse que tinha a impressão de estar chegando 13 anos atrasado. Gostaria de ter encontrado o diretor em 2001, quando estreou o primeiro filme da série O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel. Na verdade, houve um encontro anterior, no Festival de Veneza, quando Jackson apresentou Heavenly Creatures. É um filme ao qual ele ainda se sente muito ligado. A entrevista em Londres foi por conta da próxima estreia de O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos. Jackson fecha sua segunda trilogia adaptada de J.R.R. Tolkien em alto nível. Como preparativo, o cinéfilo terá uma oportunidade e tanto nesta sexta-feira. O Noitão do Belas Artes traz os cinco filmes de Jackson que compõem a saga tolkiana, os três de O Senhor dos Anéis e os dois do Hobbit.

A Irmandade, As Duas Torres, O Retorno do Rei. E Uma Jornada Inesperada e A Desolação de Smaug. O Noitão dessa madrugada envolve a apresentação do duo Olam Ein Sof, cuja música é permeada pela cultura celta e mitologias diversas. Completam-se em 2015 20 anos do início das negociações entre Peter Jackson e sua mulher, Fran Walsh, com a empresa Miramax, que detinha os direitos da obra de Tolkien. Foram quatro anos bem tensos e de muita disputa até que, em outubro de 1999, Jackson começou a filmar - na Nova Zelândia. A empresa produtora havia mudado. Quem bancava o projeto era a New Line Cinema e o diretor sofria todo tipo de pressão.

A produtora queria Sean Connery no papel de Gandalf, mas o ex-007 nunca respondeu aos apelos de Jackson. Ele só soube que Connery não estava interessado por causa de um comentário maldoso do ator no Festival de Cannes, dizendo que havia recebido um roteiro que não tinha entendido e 'supostamente' baseado em Tolkien. Para Jackson, foi um alívio – ele já tinha seu Gandalf, Ian McKellen.  Ator cult, de teatro e ocasionalmente cinema, Sir Ian virou um ícone portanto aquele chapéu de mágico. Outras contratações foram feitas na corrida. Um dia antes do início da filmagem chegou ao set um certo Viggo Mortensen – Viggo quem? – para substituir Peter Townsend, que desistira de ser Aragorn.

Há males que vêm para bem. É impossível imaginar a saga de Jackson sem Mortensen e McKellen. Gandalf atravessa as duas séries de filmes. Em O Senhor dos Anéis, acompanhamos o hobbit Frodo em seu esforço para destruir o anel. Para possuir o anel e o poder que ele confere a seu dono, Sauron está disposto a destruir a Terra-Média. Embora tenha vindo depois, O Hobbit passa-se antes, mostrando como Bilbo chegou a possuir o anel, que legou a Frodo. A nova jornada é a dos anões, liderados por Thorin, para restabelecer o reino. A saga de O Senhor dos Anéis é erudita – um compêndio de mitologias que Tolkien criou a partir de elaboradas pesquisas. O Hobbit é um relato (mais) infantil, mas, como explicou ao repórter, por fazê-lo depois, mesmo sendo um prólogo para O Senhor dos Anéis, Jackson manteve o mesmo tom.

Dramma and complex storytelling, como assinalou o repórter. Drama e complexidade narrativa. Em vários momentos das duas narrações, Frodo é tentado pelo anel e Thorin, mesmo sem o anel, é tentado pelo tesouro que encontra no castelo do dragão, Smaug. Conhece o inferno da cobiça, antes de restabelecer sua grandeza humana de descendente de tão nobres reis. Muitos críticos que só entendem o realismo como estrita recriação da realidade, tentam minimizar o aporte de Jacksdon em suas duas trilogias. Geoirge Lucas já iniciara a revolução dos efeitos com Star Wars, nos anos 1970. Jackson foi além, usando a tecnologia das ferramentas digitais. Como ele diz, mal sabe enviar um e-mail, mas cercou-se de gente que lhe permitiu aprimorar a técnica chamada de motion capture. Com ela criou o Gollum, o primeiro personagem 100% digitalizado do cinema.

Ao repórter, Jackson disse que a motion capture não é só uma revolução técnica porque na sua essência o verdadeiro movimento é o de captar a alma do ator - Andy Serkis, que fez o papel ew depois foi King Kong e o César da nova série O Planeta dos Macacos. A tecnologia só interessa como ferramenta para contar a história. E a história, por mais fantasia e ação que tenha, busca iluminar aspectos sombrios da natureza humana. Um mergulho no interior do homem. Uma jornada de escolhas morais. A melodia do olhar de Nicholas Ray. Tudo se junta para a glória desse Noitão. E amanhã, sábado, na versão paulista da Comi-com, virá o intérprete de Thorin, Richard Armitage. Para cinéfilos não preconceituosos, as duas trilogias de Jackson não são apenas grandes aventuras. São grande cinema.

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