'Uma Mulher É Uma Mulher', de Jean-Luc Godard

Cineclube HSBC homenageia o diretor e começa exibindo este filme com Anna Karina

Luiz Carlos Merten, SÃO PAULO

07 de dezembro de 2006 | 21h11

É no mínimo curioso que se possa falar hoje de outro ícone dos revolucionários anos 60. Os Beatles foram os arautos musicais da chamada ‘década que mudou tudo’. Jean-Luc Godard foi seu poeta audiovisual, usando o cinema como instrumento de intervenção na realidade. Poucos diretores foram tão influentes. Poucos foram tão discutidos - Godard, mais do que qualquer outro, nos anos 60, desconstruiu gêneros e técnicas de narrar. Veja também Trailer de 'Uma Mulher É Uma Mulher'  O Cineclube do HSBC Belas Artes todo mês homenageia um autor, cujos filmes são exibidos durante uma única sessão, ao longo de toda a semana, durante várias semanas. Godard encerra 2007. A programação começa com Uma Mulher É Uma Mulher e segue exibindo outros filmes emblemáticos do diretor - Alphaville e O Demônio das Onze Horas (Pierrot le Fou). No verbete sobre Godard em seu Dicionário de Cinema, o crítico e historiador Jean Tulard começa fazendo uma dupla interrogação sobre o autor - coveiro do cinema? Gênio inovador? Godard acaba de completar 77 anos e a polêmica parece longe de se extinguir. Em 1959, partindo de uma história escrita por François Truffaut, ele fez Acossado (À Bout de Souffle), que virou um marco da nouvelle vague. Dois anos mais tarde, surgiu Uma Mulher É Uma Mulher. O primeiro filme podia ser definido como um musical sem canto nem dança, um faroeste urbano ou um filme de gângsteres que dialoga com a tradição noir do cinema de Hollywood. O segundo é um musical. Primeiro filme de Godard com a atriz que foi sua musa (e mulher), Anna Karina, conta a história - à maneira descontínua do autor - de Angelá. Ela quer ter um filho. Seu companheiro, Jean-Claude Brialy, há pouco falecido, não quer satisfazer o desejo da mulher. Jean-Paul Belmondo, que a deseja, está a postos para ser o pai da criança.  Em 1961, coincidência ou não, François Truffaut estava fazendo Jules e Jim, que no Brasil se chamou Uma Mulher para Dois. Já era, como o de Godard, um filme sobre um triângulo amoroso, formado por dois homens e uma mulher. As semelhanças param aí. Godard misturou gêneros, foi irreverente. Seu tema é o desejo. O homem olha a mulher, e a deseja, como um objeto. Para fugir a essa objetalização, Angelá deseja o filho. De certa maneira, pelo tom, o clima, é um filme mais acessível de Godard. A descontinuidade está toda lá, mas atenuada pela cor, a música, pela presença de Anna Karina. É um bom começo para uma programação que vai trazer obras essenciais dos anos 60. E pode ser um diálogo interessante com a música dos Beatles, filmada por Julie Taymor.  Uma Mulher É Uma Mulher. De Jean-Luc Godard. HSBC Belas Artes. R. da Consolação, 2.423, 3258-4092. Hoje, 19 h. R$ 16

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