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'Uma História de Amor e Fúria' é selecionado para o Festival de Annecy

Em 53 anos de evento, considerado o 'Cannes da Animação’, é a primeira vez que um longa brasileiro integra a mostra competitiva

Flavia Guerra - O Estado de S.Paulo,

23 de abril de 2013 | 20h25

O longa de animação Uma História de Amor e Fúria, dirigido por Luiz Bolognesi e produzido pela Buriti Filmes e Gullane, foi selecionado para a competição oficial do Festival de Annecy, que ocorre na França de 10 a 15 de junho. Considerado o “Cannes da Animação", o maior festival do gênero do mundo seleciona somente nove filmes para sua mostra competitiva, entre centenas de inscritos de dezenas de países. Neste ano, mais de 2.500 desenhos animados foram inscritos no evento; apenas 13 foram selecionados na mostra paralela e 9 na competitiva. 

Esta é a primeira vez em 53 anos de festival que um longa brasileiro irá competir no festival. “Não estávamos esperando. Pensamos em mostrar em alguma seção paralela ou até mesmo no mercado, já que este é um festival que coloca o filme no mundo. Mas acabamos sendo selecionados para competir. Estamos muito felizes”, comentou Bolognesi, que, ao lado de sua equipe de 40 animadores, trabalhou durante seis anos na realização do filme. “É uma notícia tão boa para nós quanto para a animação nacional”, completou o diretor. 

Uma História de Amor e Fúria narra o amor entre Janaína e um guerreiro indígena que, ao morrer, assume a forma de um pássaro. Durante seis séculos, a história do casal sobrevive, atravessando quatro fases da história do Brasil: a colonização, a escravidão, o regime militar e o futuro, em 2096, quando haverá uma guerra pela água. Em todos estes períodos, os dois lutam contra a opressão. 

Com traço e linguagem de HQ, o filme conta com participação de Camila Pitanga, Selton Mello e Rodrigo Santoro, que interpretam os personagens principais. Amor e Fúria é um dos raros longas de animação brasileiros para jovens e adultos. “Há outros poucos exemplos, como o ótimo Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock`n`Roll, mas é mesmo incomum que se produzam filmes assim no Brasil. E o tanto o espectador não está acostumado quanto o mercado não entende ainda muito bem o lugar do desenho animado adulto”, comenta Bolognesi, cujo filme entra na sua quarta semana em cartaz, a dificuldade que é lançar e mantê-lo em circuito. Mas estamos abrindo o caminho dele. E também para que outros filmes venham. É um projeto pioneiro”, acrescenta o diretor, que comentou que tinha receio que seu longa permanecesse apenas uma semana em cartaz. “Além destas quatro semanas no circuito, totalizando até hoje cerca de 23 mil espectadores (um número considerável para o produto que temos), esta seleção para Annecy chega para completar nossa alegria. É o reconhecimento logo no primeiro filme de um trabalho que consumiu muitos sonhos, trabalho, tempo e foi realizado com muita dedicação e carinho.” 

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