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'Uma Casa à Beira Mar' e 'Hannah' estão entre as estreias da semana

Veja o que entra em cartaz nos cinemas e programe-se para o fim de semana

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2018 | 06h00

Uma Casa à Beira Mar - EXCELENTE

Diante de um mundo cruel, a esperança não precisa ser um sentimento bobo. É o que aprendemos vendo os filmes do francês Robert Guédiguian. Ele sabe, e seus personagens também, que o mar não está para peixe para os que mantêm ideias humanistas, mas que, mesmo assim, resistir é preciso. É temática recorrente desse cineasta marselhês e não está ausente de sua nova obra, Uma Casa à Beira Mar.

Sim, há essa casa debruçada sobre o mar do sul da França, com um terraço maravilhosamente desenhado. É nele que fuma e medita o patriarca da família, olhando o pôr do sol, pouco antes de ser vítima de um derrame que o colocará no leito, imóvel e sem fala. A doença do pai traz de volta a atriz Angèle (Ariane Ascaride), que se reencontra, 20 anos depois, com seus dois irmãos, Armand (Gérard Meylan) e Joseph (Jean-Pierre Darrroussin).

Angèle partiu por motivo que não se explicará senão na metade da história. Armand ficou por lá e tenta tocar o restaurante proletário (bom e barato) fundado pelo pai. Joseph é um desempregado amargo, escritor frustrado e namora uma mulher bem mais jovem (Anaïs Demoustier), que, aliás, parece à procura de novas emoções.

O acúmulo de temas poderia derrotar um diretor menos dotado. No entanto, Guédiguian consegue encaixá-los numa narrativa tão simples como fluida e elegante. Nesse desenho, surge um tema de fundo que se revelará dominante - o dos refugiados, que deixam seus países por causa da fome, da guerra, da falta de oportunidades. São um tema da atualidade europeia e representam um desafio para governos e para quem ainda defende a existência de uma sociedade civil solidária.

A grande arte de Guédiguian consiste em defender a ideia do “outro mundo possível” sem incorrer em ingenuidade nem desprezar as contradições de quem se julga na obrigação moral de estender a mão aos outros. Trabalha na ausência total de pieguice e, por isso mesmo, seu filme é emocionante e lúcido.

Arranha-Céu - Coragem Sem Limite - SEM AVALIAÇÃO

Após perder a perna em ação, o veterano de guerra e ex-líder de operações de resgate do FBI Will Sawyer (Dwayne ‘The Rock’ Johnson) agora é técnico de segurança. Ele vai trabalhar na China no mais seguro e alto edifício do mundo, que está em chamas e ele é o responsável por isso. Will tem de encontrar os responsáveis pelo incêndio, limpar seu nome e ainda resgatar sua família que está presa no interior do edifício. Mescla de Inferno da Torre (1974) com Duro de Matar (1988), traz cenas de ação que mostram o herói fazendo coisas impossíveis para salvar sua mulher e os dois filhos pequenos. Muita tensão na cena em que The Rock tenta entrar no edifício em chamas.

Primavera em Casablanca - SEM AVALIAÇÃO

Cinco histórias separadas, uma delas ambientada nos anos 1980, nas montanhas do Atlas, na África, e as outras nos dias atuais, em Casablanca, no Marrocos. A distância temporal não impede que a intolerância e a dificuldade em aceitar as diferenças, sejam as mesmas em todas elas. São vários rostos, várias lutas, mas a mesma busca pela liberdade. Segundo o diretor Nabil Ayouch, Primavera em Casablanca fala sobre uma geração mudou por causa da educação. “Nos anos 1980, havia muito mais liberdade no país.” O ponto de partida do longa é a onda de conservadorismo que tomou o Marrocos nessa época.

Hotel Transilvânia 3 - SEM AVALIAÇÃO

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Hotel Transilvânia chega ao terceiro episódio sem esgotar seu potencial. Acompanhado de sua família e seus amigos, Drácula embarca em um cruzeiro luxuoso. Mas as férias tão esperadas logo se transformam em pesadelo quando sua filha, Mavis, percebe que o pai está se apaixonando por Ericka, a misteriosa capitã do navio, que guarda um segredo que pode destruir todos os monstros. Aí está a surpresa. Os dois primeiros filmes não tinham propriamente vilões - antagonistas - e faziam da disfuncionalidade o motor das narrativas (e do humor). Agora existe um vilão declarado que vai fazer de tudo para destruir o Drácula, convertido em herói.

Bergman - 100 Anos

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Bergman 100 Anos revisa a vida e a obra do diretor sueco no seu centenário, mas se atém mais a 1957, época em que ele trabalhava em 6 grandes produções ao mesmo tempo. Segundo a diretora Jane Magnusson, ela reuniu cerca de 400 horas de gravações a partir de vídeos. “Era muito material, mas quanto mais eu revisava mais me parecia que o ano de 1957 fora decisivo, tendo em vista os lançamentos de Morangos Silvestres e O Sétimo Selo”, disse sobre o cineasta também autor de clássicos como Persona, Gritos e Sussurros, Saraband e Fanny e Alexander. Bergman - 100 Anos repassa a trajetória do cineasta apaixonado pelas mulheres, que foram muitas e famosas.

Hannah - BOM

Os bons filmes abrem lacunas para que o espectador se coloque na obra. Há quem exagere na dose, e este é o caso de Hannah, dirigido pelo italiano Andrea Pallaoro. Hannah é a personagem de Charlotte Rampling, atriz extraordinária. Ela é uma senhora que, descobrimos não sem alguma dificuldade, tem o marido condenado à prisão. Outras “prisões” se desenham na vida da personagem, como o repúdio do filho, portas que se fecham, carteirinhas de clube confiscadas, etc. Tudo é mistério. Somos convidados a deduzir o que se passa por dicas indiretas ou fiapos de frases. Mesmo assim, claro, a “construção” da história ficará por nossa conta. No entanto, o filme é muito bonito. Filmado com rigor, bem enquadrado, sem imagens banais. E muitíssimo bem interpretado por essa atriz de grande repertório. Se o mistério não nos derrota, seguimos com interesse a narrativa truncada e muitas vezes inexplicável. Já quem gosta de águas mais claras vai se incomodar.

Mostra Animação Russa

Começa nesta quinta, 12, a mostra de Animação Russa, no Cinesesc. Umas das obras exibidas no primeiro dia será A Vaca, de Alexander Petrov, que foi indicado para o Oscar de melhor curta-metragem, em 1990. Na história, as lembranças de um garoto e sua vida na área rural. Cinesesc. Rua Augusta, 2.075. Cerq. César, tel. 3087-0500. 5ª, das 15h às 20h.R$ 3,50/ R$ 12. Até 18/7.

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