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Uma América Latina dramática e real briga pelo Oscar

Treze países protocolaram as candidaturas ao maior prêmio do cinema

EFE

02 de outubro de 2014 | 13h45

BOGOTÁ - Treze filmes latino-americanos, que em sua maioria retratam uma visão dramática e real da região e imortalizam na tela as vidas de personagens icônicos como Simón Bolívar e Cantinflas, competem este ano por uma candidatura ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Chile, Equador, México, Panamá, Perú, República Dominicana, Uruguai e Venezuela propuseram seus filmes e esperam ao menos uma indicação, para repetir o feito alcançado pelo chileno No, de Pablo Larraín, que em 2013 foi o último a participar da lista.

Na fase preparatória deste ano, duas biografias, vários roteiros históricos, um documentário e uma única comédia, ainda que de época, formam parte do conjunto que espera recuperar a estatueta dourada, que desde 2009 não pisa em território latino-americano.

O México, indicado em 2010, arrisca este ano com Cantinflas, de Sebastián Del Arno, considerado o filme mais exitoso do país ao receber mais de 1,2 milhão de espectadores na sua primeira semana nos cinemas. O filme é protagonizado pelo espanhol Óscar Jaenada e conta a vida do comediante Mario Moreno no século 20.

Na mesma linha, a Associação Nacional de Autores Cinematográficos da Venezuela se deixou cativar pela vida de outro personagem real, o prócer da independência americana Simón Bolívar, em Libertador, de Alberto Arvelo.

Argentina, o único país latino-americano vencedor do Oscar, se decidiu de última por hora por Relatos Salvajes, do jovem diretor Damián Szifron, que está conquistando grandes êxitos de crítica em festivais ao redor do mundo, e cuja candidatura foi apresentada nesta terça.

O filme Matar a un Hombre, do diretor Alejandro Fernández Almendras, foi selecionado pelo Conselho Nacional de Cultura e Artes para representar o Chile, depois de vencer o prêmio de Melhor Filme em Sundance (EUA) e o prêmio de Melhor Direção no Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Indías (Colômbia).

Los Olvidados, do mexicano Carlos Bolado, foi a escolha da Bolívia este ano, que preferiu uma história dramática marcada pelo Plano Cóndor, estratégia das ditaduras militares do Cone Sul para reprimir esquerdistas há mais de 30 anos.

A Colômbia selecionou Mateo, da diretora Diana Gamboa, que é a história de um adolescente que consegue evitar a violência que o rodeia graças a um grupo de teatro a que se une, inicialmente para conseguir informações e vendê-las a grupos criminosos.

O longa Cristo Rey, de Leticia Tonos, foi selecionado pela República Dominicana e conta com um argumento que gira em torno do amor entre um haitiano e uma dominicana, no marco da violência em que se vive no bairro Cristo Rey, em Santo Domingo.

A estreia deste ano é da Academia Panamenha, que espera vencer com o único documentário da região, Invasión, de Abner Benaim, sobre a intervenção militar dos EUA no Panamá em 1989.

O Peru, que em 2010 foi indicado com La Teta Asustada, se apresenta agora com o drama policial El Evangelio de la Carne, de Eduardo Mendoza. O filme venceu três prêmios no Festival de Lima e relata a história de três sujeitos que entrecruzam suas vidas em meio a uma partida de futebol.

Por sua parte, as associações cinematográficas do Equador decidiram que o filme Silencio en la Tierra de los Sueños, de Tito Molina, representará o país na edição de 2015 do Oscar. É a história onírica de uma anciã que escapa durante as noites para uma terra mágica.

O Uruguai participa da pré-seleção com Mr. Kaplan, de Alvaro Brechner, a única comédia do grupo, que conta as peripécias de um judeu que chega à América do Sul durante a Segunda Guerra.

A lista se completa de último momento com a Costa Rica, que anunciou a postulação de Princesas Rojas, de Laura Astorga, a história de uma criança de 11 anos que é transferida ao território costarriquense devido ao trabalho clandestino de seus pais para a Revolução Sandinista na Nicarágua.

O prazo para apresentar os filmes termina nesta quinta-feira. Os cinco filmes indicados serão conhecidos no dia 15 de janeiro de 2015, menos de um mês antes da celebração da cerimônia do Oscar, no dia 22 de fevereiro de 2015, no Dolby Theatre de Los Angeles.

Apenas seis produções hispânicas venceram o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, quatro espanholas e duas argentinas.

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