Um Woody Allen que não é assim um Woody Allen

Depois de um longo período em que os filmes de Woody Allen demoravam até dois anos para chegar ao Brasil, Igual a Tudo na Vida chega ao País hoje - menos de um ano depois de seu lançamento nos Estados Unidos, onde estreou em setembro de 2003. Com Christina Ricci e Jason Biggs como par, o filme não está entre os melhores do ator e diretor. Jason Biggs faz o papel de Jerry Falk, aspirante a escritor, talentoso e inseguro. Christina Ricci interpreta Amanda, uma garota jovem, bonita e de espírito livre. Os dois se conhecem e apaixonam-se à primeira vista. Depois de um tempo, no entanto, a frieza dela e a insegurança dele começam a interferir na relação. Woody Allen também integra o elenco, como David Dobel. Professor universitário, torna-se uma espécie de mentor de Falk, a quem expõe suas teorias conspiratórias e oferece conselhos sobre como conduzir sua vida. Um paranóico compulsivo que reage com violência desmesurada às pequenas agressões cotidianas. É o que o filme tem de melhor. Igual a Tudo na Vida compreende dois comentários de Allen ao mundo contemporâneo. O primeiro diz respeito à fragilidade das relações afetivas, tão esmiuçado em seus filmes que aqui parece gasto e entediante. Não tanto pela atuação de Christina e Biggs, mas pelo que se pode tirar do que encenam. Perdeu a atualidade e a graça. O segundo comentário, mais atual e mordaz, vem embalado com o personagem que Allen criou - como um presente - para si mesmo. Dolby tem a aparência inofensiva dos intelectuais neoconservadores, tipos comunicativos e cheios de idéias mirabolantes sobre como se proteger de ataques que ainda não aconteceram. Há ainda a participação especial de Stockard Channing e Danny DeVito. Stockard interpreta a mãe destrambelhada de Amanda, enquanto DeVito faz o bem intencionado empresário de Falk.

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