Um Sherlock Holmes com nervos, e músculos, de aço

Robert Downey Jr. empresta seu humor ao clássico britânico, que volta às telas ‘repaginado’ por Guy Ritchie

Flávia Guerra, de O Estado de S. Paulo,

06 de janeiro de 2010 | 04h00

Unir a ação dos filmes americanos com a sagacidade do cinema inglês. Guy Ritchie não queria pouco ao assumir, há cerca de dois anos, o projeto de Sherlock Holmes, a mais nova adaptação das aventuras do personagem mais inglês da História, que estreia no Brasil na sexta-feira, 8.

 

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Assista ao trailer de 'Sherlock Holmes'

 

Há duas semanas, quando a première mundial do filme sacudiu a Leicester Square (a Meca das pré-estreias europeias), o que se viu na tela foi a união da genialidade do ator Robert Downey Jr., o charme de Jude Law, a beleza de Rachel McAdams e as sequências de ação que tornaram Ritchie um dos queridinhos do cinema mundial, em um filme que tem de tudo um pouco. "É uma grande honra e uma grande aventura", comentou Jude Law em entrevista ao Estado, há um ano, nas filmagens.

 

Ritchie e equipe não pouparam esforços para dar a Holmes ares nunca antes retratados nos filmes que fizeram a fama do detetive que encarna, como poucos personagens, o ‘English style’. De cenas que literalmente pararam o trânsito em Liverpool a efeitos visuais que recriam o cenário da lendária Tower Bridge em construção, Sherlock é prova de que a saga criada por Sir Arthur Conan Doyle está longe de acabar.

 

Por falar em fim, Ritchie admitiu que este primeiro filme é só o começo de uma série que ele quer continuar. Assunto não falta. A julgar pelo set visitado pelo Estado às margens do Rio Tâmisa, além de trabalho duro, filmar Sherlock contou com a diversão de poder viver o clima da Londres do século 19.

 

Em uma antiga fábrica transformada em um matadouro, Sherlock (que ganha ares mais leves na pele de Downey Jr.) e Watson (um bigodudo Law) se esmeravam para protagonizar as cenas em que salvavam Adler (Rachel McAdams) de cair em uma armadilha mortal de Lorde Blackwood (o vilão da história, vivido por Mark Strong).

 

Como manda o manual de bons filmes de ação, há muito fogo, fumaça, explosões e perseguições. A mocinha em questão é também ‘inimiga’ de Holmes e capaz de roubar o coração do detetive. Aliás, além de livrar a Inglaterra dos poderes ocultos de Blackwood, Holmes também tenta salvar sua amizade com Watson, que está cansado de ter um companheiro tão desastrado e ciumento. Watson está prestes a se casar e os dias da dupla dinâmica podem estar contados.

 

Cenas de ação à parte, a irmandade entre Watson e Holmes garante mistérios e humor à releitura de um clássico tão britânico. "Não acho que Sherlock seja só britânico. Ele seduz o mundo todo. Foi o primeiro super-herói e sei que o jovem de hoje tem muito o que se identificar com ele", disse Ritchie ao Estado quando questionado se a escolha de um ator americano para viver a figura emblemática britânica foi a tentativa de ganhar o público jovem.

 

Downey Jr. não se abateu com as críticas antecipadas de que sua figura e seu sotaque não alcançariam a fleuma necessária ao personagem. "Não fiz o sotaque inglês. Já tenho este sotaque depois de passar tanto tempo aqui", brincou.

 

Quem espera ver o clima de filmes noir de outras adaptações para o cinema das histórias de Conan Doyle vai se decepcionar. Já quem quiser descobrir mais sobre os dotes de espadachim, lutador de artes marciais, boxe, vai se impressionar com a forma física afiada e o raciocínio lógico que Downey Jr. dá ao detetive. Não por acaso, o ator recebeu no mês passado a indicação a melhor ator em comédia no Globo de Ouro.

 

Ritchie, por sua vez, não vai levar o prêmio de melhor direção. Mas não se abala. "É um bom mix de ação e suspense. Quis dar uma cara mais contemporânea a um clássico. Acho que vai fazer sucesso porque ele tem o próprio ritmo", disse o diretor ao Estado. "É um filme que os filhos de Ritchie poderão ver. Faltam filmes como este. Harry Potter ou Batman, por exemplo, funcionam porque têm, acima de tudo, senso de humor. E isso eu garanto que Sherlock Holmes tem", acrescentou Downey Jr. nos intervalos das filmagens.

 

Além do sotaque, Downey Jr. teve de trabalhar muitos os músculos para protagonizar as tantas cenas de luta e perseguição. "É fisicamente desafiador filmar com Guy. Trabalhar com ele significa suar muito!"

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