Divulgação
Divulgação

Um mês após mudança no dia de estreias, bilheterias registram aumento de 13% nas vendas

Exibidores e distribuidores afirmam que serão necessários três meses para se fazer uma análise mais consistente

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2014 | 11h58

Quando, em 13 de março, os filmes passaram a estrear às quintas-feiras nos cinemas brasileiros, distribuidores e exibidores apostavam na demanda por novidades nas salas nacionais. “As concorridas pré-estreias nesse dia também demonstraram o interesse das pessoas. Percebemos que essa demanda era fruto de uma mudança de hábito dos brasileiros: a quinta-feira hoje é um dia quente em vários setores do entretenimento”, declarou na época o presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (FNEEC), Paulo Lui.

Passado um mês da mudança, que segue prática já adotada por vários países, o saldo é positivo: os cinemas constataram que, de R$ 144,5 milhões, as bilheterias saltaram para R$ 163,6 milhões, levando em conta as quatro semanas que antecederam a alteração. Isso significa que houve um aumento total de 13,2% nas vendas de ingressos.

Ainda que exibidores e distribuidores afirmem que serão necessários, no mínimo, três meses para se fazer uma análise mais consistente e avaliar dados mais consolidados, todos os consultados pelo Estado aprovam a estreia às quintas. “Num período curto, fica difícil avaliar com precisão, visto que alguns fatores podem influenciar para cima ou para baixo, tais como feriados, o tamanho dos lançamentos, concorrências, etc., o novo hábito. Mas, em conversas informais com alguns exibidores, podemos de antemão verificar que, até o momento, o saldo foi positivo”, declara Lui.

Segundo a rede de multiplex Cinemark, ainda é cedo para fazer uma análise detalhada sobre a mudança. “Mas já é possível afirmar que a iniciativa foi bem recebida pelo público da rede, e acreditamos que seja apenas uma questão de tempo, para que este desenvolva um novo hábito”, diz a declaração oficial da rede.

Para Marcio Fraccaroli, diretor-geral da distribuidora Paris Filmes, a modificação foi favorável. “A gente estava no ‘mês das marcas’ (quando os filmes de grandes estúdios chegam aos cinemas) e o fato de entrarem em cartaz às quintas deu chance ao público de conferir um dia antes”, comenta. “Na ponta do lápis, os finais de semana de Noé, Rio 2 e Capitão América, que são as marcas que entraram em cartaz, foram excepcionais. Se olharmos os números do FilmeB (site sobre o mercado cinematográfico), podemos concluir que a estreia de quinta foi altamente positiva”, completa Fraccaroli.

Segundo o FilmeB, Capitão América – O Soldado Invernal liderou as bilheterias da última semana, arrecadando R$ 16,2 milhões, seguido por Noé, R$ 11,1 milhões, e Rio 2, com R$ 5,8 milhões. “Os números são expressivos. Talvez, se não tivessem a quinta, não teriam ido tão bem. 250 mil pessoas em uma quinta é algo significativo”, informa o distribuidor, que considera, no entanto, que ainda é prematuro fechar uma avaliação conclusiva. “Pela presença do público nas sessões dos ‘filmes de marca’, foi favorável. Mas as pessoas ainda estão começando a ter acesso à informação de que as estreias estão ocorrendo um dia antes e a se acostumar com isso. Neste momento, todos os pontos de venda, que são os cinemas, estão informando seu público. Há avisos nos sites, nas bilheterias, anúncios.”

Lui concorda com Fraccaroli: “Melhorou a frequência de público nas salas, às quintas. A grande maioria dos espectadores aprovou a nova data. Alguns ainda são surpreendidos, porém é só uma questão de tempo para também se habituarem com os lançamentos às quintas”.

O presidente afirma que a Federação Nacional, no entanto, ainda não possui dados definitivos do período. “Isso porque os números são de cada empresa, e a divulgação é de responsabilidade delas. Mas, em conversas informais, alguns exibidores já informaram que houve crescimento de público.”

Para informar os espectadores, até o momento, as redes exibidoras têm publicado avisos em seus sites de venda de ingresso, nas telas antes do início das sessões e nos locais de exibição. “O que os exibidores ainda não fizeram foi organizar uma supercampanha, mas isso já estava previsto para acontecer após a ‘temporada dos filmes de marca’. Assim que o Homem-Aranha sair de cartaz, esta campanha deve começar. Provavelmente, será em junho”, adianta Fraccaroli. “A ‘temporada de marcas’, em geral, chega aqui na época das férias do meio de ano, mas, desta vez, chegou mais cedo. E não só, ou necessariamente, por causa da Copa do Mundo. Nos Estados Unidos, é natural que esses filmes estreiem entre março e abril, pois as férias longas deles são mais para frente”, declara Fraccaroli, que, nesta semana, tem um ‘filme de marca’ chegando às telas, o longa Divergente.

“Começo com este e depois teremos um nacional, Os Homens São de Marte. Os outros filmes são mais pontuais, do segmento de arte, e não dependem tanto das quintas”, conta ele, que, no “mês da mudança”, estreou o brasileiro Alemão, já visto por um milhão de espectadores. “Isso foi muito bom. Não é um Tropa de Elite, não tem tanque nem helicóptero. É um filme psicológico, que mostra que o público gosta de uma boa história de drama e suspense. Foi muito acima da expectativa do produtor e nossa.”

O distribuidor avalia que, ao contrário dos blockbusters, para os “filmes pequenos”, por ora, não há tanta alteração. “Isso deve ser sentido mais a longo prazo. Do ponto de vista de análise, é preciso esperar um pouco. Não é imediato. As marcas trazem público, e quem frequenta cinema está sendo impactado pela informação, mas novos hábitos levam tempo para se sedimentar”, acrescenta ele.

Em relação aos filmes de arte e independentes, é Jean Thomas Bernardini, à frente da distribuidora Imovision e do multiplex Reserva Cultural, quem analisa a alteração como positiva. “Concordo que ainda é cedo para avaliar com mais profundidade, pois foram apenas quatro semanas. Mesmo assim, posso dizer que foi uma mudança favorável”, declara o exibidor e distribuidor. “Ter mais tempo é bom para quem exibe, quem distribui e para quem assiste. E sãos os filmes melhores que poderão ter mais tempo para serem apreciados e recomendados pelo espectador. Pode demorar, mas é uma mudança certa”, conclui Bernardini. 

Tudo o que sabemos sobre:
BilheteriasCinema

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.