Um funeral para morrer de rir

Elas são fogo, as Brendas do cinema de língua inglesa. Antes, havia a Fricker, dos filmes de Jim Sheridan, vencedora do Oscar por Meu Pé Esquerdo. Brenda agora é Blethyn, a atriz de Verdades e Mentiras, de Mike Leigh. Brenda Blethyn tem uma voz esquisita, um pouco fina, um pouco arranhada, que a ajuda na composição de suas personagens. Em geral, são chatas, obsessivas, mas são irresistíveis porque são humanas. Por mais que Verdades e Mentiras seja um drama, há lances de humor na interpretação de Brenda Blethyn, que mostram que ela pode ser uma ótima comediante. Os ingleses já sabiam disso. Numa carreira iniciada no começo dos anos 1980, Brenda adquiriu fama primeiro na TV, fazendo personagens de séries cômicas. O diretor Nick Hurran sabe disso. Utiliza o potencial cômico-dramático de Brenda em Túmulos com Vista, sua comédia que estréia hoje. Você precisa ver este filme. Não porque seja excepcional, mas porque possui momentos muito humanos, outros divertidos e porque - francamente - só louco para perder um filme cujo elenco traz, além de Brenda Blethyn, nomes como os de Christopher Walken, Alfred Molina e a esplêndida Naomi Watts, de 21 Gramas. A história acompanha Boris Plotz desde garoto, quando ele tinha dois sonhos - ser dançarino e casar-se com Betty. O tempo passou, ele esqueceu a vocação de dançarino e virou dono de uma funerária, sem deixar de amar Betty. Ela se casou com outro e agora Plotz a reencontra porque Betty vem bater à porta de sua funerária, para que ele providencie o enterro de sua sogra. Parece mórbido. É engraçado. Brenda, como Betty, rouba a cena. E o filme ainda tem a cena em que o agente que tenta roubar clientes de Plotz organiza um funeral cheio de efeitos, no estilo Jornada nas Estrelas. Dá tudo errado. Você ri bastante. Túmulos com Vista tem o mérito de exorcizar a morte.

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