Um Festival para Marrakech, a 'Hollywood do Oriente'

Em sua oitava edição, Marrakesh Film Festival comemora os 50 anos do cinema marroquino

Flávia Guerra, de O Estado de S. Paulo ,

08 de novembro de 2018 | 00h02

Ridley Scott, Sigourney Weaver, Leonardo DiCaprio, Roman Polanski, Michelle Y,. Milos Forman são nomes que já passaram pelo tapete vermelho de um dos festivais de cinema mais badalados do hemisfério norte. E não se trata de Cannes, Veneza ou Rotterdam. A festa em questão acontece em uma improvável Marrakesh. Para quem sempre pensou que a Cidade Vermelha era só a casa de um mercado público de encher os olhos, é bom saber que Marrakesh tem enchido os olhos de seu público com cinema, muito cinema. No fim de semana, 30 mil cinéfilos encaram uma maratona de mais de dez horas para conferir em praça pública a trilogia de Alien, de Ridley Scott. A praça em questão era Jamaa El Fna, a mesma em que Alfred Hichtcock filmou O Homem que Sabia Demais em 1955. Sigourney Weaver estava lá para abrir a festa. "Estou absolutamente surpresa com vocês. Eu mesma jamais consegui ver os três filmes em seguida. E vocês já estão esperando ha horas! Feitos como este me enchem de esperança", declarou a atriz para delírio da platéia (em sua maioria jovens moços marroquinos, já que as jovens moças ainda ficam um tanto distante quando o assunto são grandes multidões). Esperança mesmo a encheu a eleição de Barack Obama. "O Oriente Médio e a cultura árabe sofreram muito com o governo Bush. E principalmente no cinema. Hollywood não tem feito um grande trabalho quando o assunto é mostrar ao mundo a verdadeira face do povo islâmico e árabe", rebateu a atriz quando questionada por um marroquino sobre o porque da forma sempre caricata com que os grandes blockbusters americanos retratam seu povo. "Inclusive quando muitos filmes são rodados aqui mesmo, no Marrocos, como é que os diretores vêem uma coisa e filmam outra?", questionou o jovem. Ridley Scott seria um bom nome para responder a questão. Seu novíssimo Rede de Intrigas (que foi exibido na noite de segunda no festival e que estréia no Brasil no dia 28) se passa na Jordânia e no Iraque, mas foi totalmente filmado no Marrocos. Scott conhece bem o cenário do cinema marroquino e sabe tirar bom proveito disso. "O Marrocos é a Hollywood do Oriente. Centenas de filmes são rodados todos os anos no país. Nenhum outro país do Oriente Médio tem tanta estrutura e abertura a Hollywood como o Marrocos", declarou o diretor ao Estado. Enquanto Scott já é veterano no festival, Sigourney descobre o Marrocos. "Adoraria filmar aqui. E estou aberta a convites", brincou ela em conversa com os estudantes da Escola de Cinema de Marrakesh na tarde de segunda. Decididos a formar cada vez mais profissionais capazes de não só servir aos serviços de "locação do Oriente para filmes do Ocidente", os criadores da escola (e do festival) investiram pesado no intercâmbio de experiências. Além de masterclasses como a de Sigourney, bolsas para alunos internacionais são concedidas todos os anos. "O melhor está por vir. O festival contribuiu muito para mudar a mentalidade não só do espectador marroquino como para ajudar a profissionalizar o nosso cinema", comentou Nour-Eddine Sai; vice-presidente do Festival de Marrakesh. Não só a mentalidade. Segundo o Centro Cinematográfico Marroquino somente no primeiro semestre deste ano 17 filmes internacionais foram rodados no Marrocos. "A renda disso vale US$ 111 milhões. Se tudo continuar assim, mesmo com a crise econômica mundial, devemos nos transformar no maior pólo de cinema da África e do Oriente Médio nos próximos oito anos. Nada mal, hem?", diz Sail. De fato, nada mal para um cinema que comemora hoje, com direito a uma grande festa, seus 50 anos. O festival continua ate sábado, com uma homenagem ao cinema inglês, a atriz chinesa Michelle Yeoh.

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