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Um diretor em busca do efeito da música sobre as pessoas

Homenageado da edição, o holandês John Scheffer retratou obra de mestres como Mahler, Frank Zappa e Edgar Varèse

Flavia Guerra, O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2014 | 23h15

A escolha de Frank Scheffer como homenageado da sexta edição do In Edit Brasil é oportunidade rara para se conhecer a obra de um dos grandes nomes do documentário musical. Mais que um diretor interessado em registrar linearmente fatos e imagens, o holandês sempre esteve interessado na experiência sensorial que a música proporciona a quem a produz e a consome.

É esta imersão pela vida e obra de nomes de vanguarda como o compositor franco-americano Edgar Varèse, Frank Zappa, Gustav Mahler, Eliot Carter, Brian Eno e John Cage que chega às telas de São Paulo e Salvador, onde o In Edit ocorre de 13 a 18 de maio.

Scheffer desembarca no Brasil pela primeira vez na segunda, mas confessa ser grande fã da música brasileira. "Não há como não ser. A produção de vocês é incrível. É um país muito musical. Gosto muito de Astrud Gilberto, ela é genial", diz o diretor.

Para ele, encontrar um tema a ser filmado no Brasil não seria difícil. "Conheço pouco, mas sei que deve haver algo na música que me faça apaixonar. Esta é a condição para que eu filme um tema. A paixão. Assim são meus filmes. Cada um dos retratados tem uma produção musical muito interessante para contar por si só. São todos personalidades que ajudaram a construir o século 20", diz Scheffer.

"Ainda que percorram a história de grandes personalidades, meus filmes são sobre a alma da música. Não estou interessado na biografia do compositor ou do músico, mas no que é sua obra e como ela funciona. O assunto principal dos meus documentários é, portanto, a própria música."

É este interesse que o move em How to Get Out of the Cage, uma coletânea de entrevistas e diálogos entre o compositor John Cage e o próprio diretor, realizadas ao longo de uma década, de 1982 e 1992. Em conversas que apresentam as crenças e pensamentos do compositor sobre sua obra e sua vida, o público aprende a compreender melhor a chamada ‘música aleatória’. "Cage rompeu com as amarras. É bela sua forma de pensar. E isso ele transpõe para sua música. Também podemos transpor o que há de belo em uma canção para um filme. Isso tem a ver com ritmo, em como nossa memória funciona. E isso muda a estrutura de um documentário, por exemplo. Este é meu conceito. É o que faço."

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